Com rebanho superior a 1,3 milhão de cabeças e um crescimento de 85% em sete anos, produtores de Roraima estão adotando ferramentas digitais para aprimorar a gestão da pecuária de corte. A adoção de tecnologias no campo está abrindo portas para empresas de TI especializadas em soluções agro, com foco em gestão de rebanhos, rastreabilidade e aplicações móveis compatíveis com condições rurais.
Essa transformação está gerando oportunidades significativas para o ecossistema de agtechs, que desenvolvem softwares de monitoramento, inteligência de dados e automação de processos. Em Roraima, surgem soluções como plataformas que ajudam a acompanhar sanidade, reprodução e manejo, combinando funcionalidades online e offline para contornar limitações de conectividade.
Apesar do potencial, a conectividade ainda é um desafio em várias áreas rurais. A limitação de internet de alta velocidade afeta o uso contínuo de dados em tempo real, o que tem impulsionado a adoção de ferramentas que funcionam offline com sincronização posterior. O aplicativo Farmbov, apresentado recentemente em eventos agrícolas, exemplifica esse movimento voltado à realidade local.
Outro ponto crítico é a segurança da informação. Dados sobre manejo, sanidade e histórico de cada animal são cada vez mais armazenados em plataformas na nuvem, o que aumenta a exposição a riscos de acesso não autorizado e perda de dados. Profissionais consultados destacam a importância de políticas de proteção de dados, autenticação forte, criptografia e backups regulares para mitigar vulnerabilidades no agronegócio.
O Brasil já mostra uma adesão elevada a tecnologias digitais no campo — estudos indicam que mais de 95% dos produtores utilizam algum tipo de tecnologia. Esse cenário facilita modelos de negócio inovadores, como software de gestão de propriedades, serviços de consultoria digital e integrações com plataformas de mercado e logística.
No contexto de Roraima, a participação de instituições locais, como a Universidade Federal de Roraima (UFRR), tem sido fundamental para apoiar produtores na interpretação de dados gerados por tecnologias emergentes. As parcerias entre produtores, universidades e empresas de tecnologia ajudam a adaptar soluções ao ambiente rural e a promover a formação em cibersegurança rural como parte da transformação digital.