Observa-se que, por trás de cada sistema de IA em funcionamento, estão profissionais altamente qualificados: desenvolvedores, engenheiros e cientistas de dados que transformam ideias em tecnologia concreta. Sem esse capital humano, a IA não existe. — Rodrigo Terron
O Brasil ocupa posição privilegiada nesse cenário. O país figura entre os principais mercados da Gemini, da Google, respondendo por cerca de 7,5% do tráfego mundial da plataforma; é um dos três maiores usuários semanais do ChatGPT e registra dezenas de milhões de mensagens diárias. Além disso, o Brasil é produtor de tecnologia, com muitos desenvolvedores que utilizam a API da OpenAI.
Essa força de capital humano é um ativo estratégico para a economia: o setor de tecnologia já representa uma parcela relevante do PIB, e decidir o futuro da IA é, em essência, decidir o futuro econômico do Brasil. Valorizar quem desenvolve tecnologia é condição básica para que o país seja protagonista na produção de soluções próprias, não apenas consumidor de ferramentas externas.
Apesar da necessidade de regulação, há preocupação sobre a escuta insuficiente do público técnico no debate regulatório, especialmente em relação ao PL 2338/23. Uma regulação desequilibrada pode acelerar a saída de cérebros do Brasil para mercados mais abertos, com impactos diretos na inovação e na autonomia tecnológica.
Em suma, regular a IA é necessário, mas fazê-lo bem requer escuta qualificada: ouvir quem faz a IA na prática — quem desenvolve, testa e aperfeiçoa as tecnologias diariamente. Com esse diálogo, o Brasil pode construir uma regulação equilibrada que proteja direitos sem sufocar a inovação e, assim, manter a autonomia tecnológica no campo da IA.