As medidas antidumping anunciadas no final de 2025 para corrigir distorções entre fabricantes chineses e nacionais estão levando as operadoras de telecomunicações a repensarem planos de mitigação. Entre as opções estudadas estão a importação de equipamentos de outros países, a diversificação de fornecedores, a busca por substitutos nacionais (quando houver capacidade de mercado) e a reavaliação de investimentos.
Um executivo experiente do setor alerta que o impacto será, no início, mais intenso nos projetos de redes externas, onde a fibra representa até 85% do custo total.
Entre as ações em estudo estão negociações diretas com fornecedores na China para mitigar efeitos observados e também a possibilidade de cabos fornecidos por fabricantes com fábricas fora da China, caso haja oferta viável nesses locais.
Em redes FTTH externas, a fibra figura como a parte mais cara do projeto, respondendo por aproximadamente 75% do custo do home pass, enquanto a rede interna envolve outros itens como OLT, postes, mão de obra e acessórios. Em projetos de home connect, os custos costumam entrar no valor da assinatura, tornando a majoração da fibra um efeito que pode demorar a se refletir no preço ao usuário.
Um raciocínio simples de custo aplicado pelos especialistas aponta que, se o peso de um cabo de 144 fibras é de cerca de 150 kg por quilômetro, o adicional antidumping de US$ 2,42 por kg poderia acrescentar aproximadamente US$ 363 por km. Considerando que esse cabo representa cerca de 75% do custo externo, o aumento total nos projetos de expansão ficaria em torno de 13%. Em cenários específicos, como o cabo drop usado na conexão final, algumas simulações sugerem aumentos de até 260%.
Analistas ressaltam que o efeito varia conforme o tipo de cabo e destacam que provedores menores, que dependem de um único fornecedor, podem enfrentar impactos maiores.