A administração judicial da Oi apresentou nesta segunda-feira, 20, o relatório de gestão determinado pela juíza Simone Chevrand. O documento recomenda um modelo de liquidação que permita a venda dos ativos com quitação dos passivos, incluindo a Oi Soluções, cuja venda poderia alcançar cerca de R$ 1,42 bilhão.
O relatório também registra que a gestão quer manter a blindagem atual contra credores extrajudiciais, mantendo a suspensão das obrigações extraconcursais pelo período. A equipe argumenta que esse regime pode se tornar um instrumento mais eficaz para reverter os indicadores patrimoniais ruins, se combinado com a liquidação ordenada.
No que se refere à Oi Soluções, o documento aponta uma fase mais avançada de estruturação para venda da unidade, estimando que o negócio de contratos/serviços B2B voltados a conectividade, serviços digitais e TI possa gerar cerca de R$ 1,42 bilhão. A avaliação do ativo está a cargo da G5 Partners, com interesse já manifestado por grandes empresas.
Outros ativos também aparecem como alavancas de liquidez: a venda da unidade Timor Leste, imóveis e renegociações com a PGFN para abatimentos tributários; a gestão cita receitas potenciais que poderiam totalizar entre R$ 672 milhões e R$ 2,3 bilhões. O caixa da empresa, hoje em torno de R$ 101 milhões, enfrenta projeções de queda, com estimativa de apenas R$ 30 milhões em setembro, dependendo de recursos vindos de vendas.
Apesar da gravidade dos números — dívida de cerca de R$ 42 bilhões, com vencimentos a partir de 2027 — o administrador sugere que, em cenário de falência, os credores teriam direitos e garantias reconstituídos de acordo com as condições contratuais, o que valida a preferência pela liquidação de ativos prevista no atual Plano de Recuperação Judicial. Trabalhistas e tributos teriam prioridade sob esse regime, o que molda o debate sobre o caminho adequado para a empresa.
Conforme o relatório, continuam renegociações com fornecedores, revisões na venda da rede de cobre e levantamentos de depósitos trabalhistas, com projeções de que medidas de curto prazo possam elevar o caixa em uma faixa entre centenas de milhões de reais. Além da Oi Soluções, a Oi ainda espera cerca de US$ 77 milhões com a venda da unidade Timor Leste e cerca de R$ 5,8 bilhões com imóveis, além de ajustes com a Fundação Atlântico que podem liberar recursos para saldar dívidas.