O Brasil avança com uma das infraestruturas de telecomunicações mais abrangentes do hemisfério sul: fibra chegando a quase todos os municípios e o 5G expandindo-se para milhares de cidades. Ainda assim, o tráfego de dados cresce em ritmo superior à eficiência da rede, exigindo mais energia, mais backbone e mais investimentos.
O desafio não é apenas ampliar a capacidade: é reduzir saltos entre conteúdo, processamento e usuário, tornando mais próximo o conteúdo através de edge datacenters, CDNs regionais e interconexões locais. Cada salto menor representa economia de energia e latência, além de melhoria na experiência do usuário.
A centralidade passa por CDNs públicas, neutras e regionais, que convivem com CDNs privadas para democratizar a entrega de conteúdo, diminuir dependências internacionais e projetar escala para aplicações nacionais de IA, vídeo e 5G‑A.
Nesse cenário, programas como ReDATA e PNDC criam condições para uma cooperação público‑privada, em que datacenters viram plataformas de política industrial, conectando eficiência digital, sustentabilidade e soberania de dados.
A visão regulatória 2025–2027 precisa premiar cooperação e eficiência, reconhecendo a eficiência como ativo de mercado. A integração entre telecomunicações, energia e datacenters pode gerar uma infraestrutura digital mais distribuída e resiliente, capaz de atender às necessidades de uma economia brasileira mais soberana e sustentável.