O Ministério das Comunicações anunciou, no fim de janeiro de 2026, uma política de ampliação de conectividade em rodovias federais. O objetivo é reduzir trechos com baixa ou nenhuma cobertura, aprimorando segurança viária, atendimento a emergências e a eficiência de cadeias logísticas que dependem de comunicação contínua. O cronograma aponta maturação em 3 a 4 anos, com resultados mais amplos esperados para 2029/2030, mas o desafio está na execução: escolhas de trechos, investimentos e rollout.
Enquanto o plano de longo prazo avança, cresce a discussão sobre abordagens complementares para uso imediato, especialmente em casos que exigem mensagens curtas, baixo custo e previsibilidade de entrega, como telemetria e rastreabilidade. Nesse cenário, a NB-IoT aparece como linha de desenvolvimento com foco na mobilidade — tentando conciliar a eficiência de LPWAN com as necessidades reais de operação em trânsito.
A NB-IoT foi criada para aplicações estáticas, mas evolui para ambientes móveis, lidando com variações de cobertura, transições entre torres e a necessidade de manter a entrega de mensagens com baixo consumo. A infraestrutura de NB-IoT já instalada em grande parte do território pode funcionar como camada complementar, atuando em cenários onde a banda larga não é essencial, mas o alcance e a penetração são críticos.
Experimentos em campo apontam três pilares que justificam o interesse do mercado. Primeiro, alcance e penetração: há registros de dispositivos conectando-se à ERB a dezenas de quilômetros, incluindo casos de 66,14 km. Em segundo lugar, resiliência ao longo de rotas: em trechos extensos, o envio de mensagens pode ocorrer online e, quando necessário, ser armazenado e transmitido em reconexões subsequentes. Por fim, a eficiência energética: medições indicam consumos muito baixos, como < 350 µAh em veículos e < 10 µAh em dispositivos autônomos, favorecendo operações com maior autonomia e menor necessidade de manutenção.
Outra tendência relevante é a adoção de arquiteturas híbridas, que combinam NB-IoT com LoRaWAN como camada de redundância para cenários críticos. Em validações, transmissões LoRaWAN atingiram 96 km. A ideia é equilibrar infraestrutura existente, tempo de rollout e soluções complementares para manter a rastreabilidade estável em rotas remotas, mesmo em situações de interferência ou falha de redes.
Especialistas defendem uma abordagem pragmática: alinhar projetos estruturais de longo prazo com soluções suplementares de curto prazo para usos específicos. Com isso, a NB-IoT aplicada à mobilidade pode ganhar espaço ao oferecer alcance, penetração, eficiência energética e robustez operacional — transformando a discussão técnica em uma agenda prática de inovação para rastreabilidade e telemetria em rodovias.”