Brasília recebeu nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026, um evento dedicado a ampliar a presença de meninas nas áreas de TIC e telecom, com foco em formação técnica e oportunidades de inserção profissional. Mais de 150 alunas de escolas públicas do Distrito Federal participaram do encontro, que reuniu representantes do Ministério das Comunicações (MCom), da Anatel, da Telebras e de organizações da sociedade civil.
Entre os relatos, uma das estudantes presentes foi Fernanda Lara Veras Silva, de 17 anos, do CEM 111, Recanto das Emas (DF). Ela afirmou que a participação no evento ajudou a transformar o interesse em perspectiva de carreira: “Se as meninas têm essa paixão por tecnologia, elas devem investir. Agora que eu vi que posso ingressar neste mercado, estou lutando para isso”.
Na abertura, a secretária-executiva do MCom, Sônia Faustino Mendes, destacou que o Meninas Telecom é mais do que um programa; é um movimento em construção. “Um movimento que começa hoje, mas que não termina aqui”, enfatizou, sinalizando que a iniciativa está em fase de construção com planos de ampliar o alcance, fortalecer parcerias e aproximar as estudantes de possibilidades reais de inserção profissional no setor.
A discussão girou em torno de barreiras de acesso, da necessidade de estímulo desde a escola e das diferentes portas de entrada para o setor, incluindo programas de estágio, jovem aprendiz e cursos técnicos. Cristiana Camarate, conselheira da Anatel, ressaltou a importância de apresentar às estudantes a variedade de trajetórias no ecossistema tecnológico, observando que há muitas formações técnicas e organizações que oferecem cursos variados. “Existem várias formas de estimular e há uma série de carreiras tecnológicas”, afirmou.
Tatiana Guilherme, da Telebras, lembrou que a área de telecomunicações ainda é considerada muito masculina e disse que muitas vezes é a única mulher na sala. Ela reforçou que a motivação, a curiosidade e a busca por orientação são essenciais para quem quer ingressar no mercado, destacando o impacto social da conectividade em comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas.
O evento ocorreu na semana em que se celebra o Dia Internacional das Meninas nas TIC (25 de abril). A ONU Mulheres destacou que empregos do futuro serão impulsionados pela tecnologia e pela inovação, com a previsão de que muitas profissões ainda nem existem e que as meninas devem fazer parte dessa revolução, seja na educação, redes sociais ou no ambiente de trabalho.
Como próximos passos, o MCom prevê ampliar a iniciativa para novos territórios e fortalecer parcerias, ao mesmo tempo em que incentiva a oferta de estágios, jovens aprendizes e cursos técnicos, para transformar o interesse em carreiras reais no setor de tecnologia e telecomunicações.