A transformação digital ganhou amplo espaço nas empresas brasileiras, mas a base que sustenta toda a engenharia de dados fica muitas vezes invisível: a infraestrutura de IoT, responsável por conectar ativos físicos ao ambiente digital com segurança e escalabilidade.
Especialistas destacam que, antes de qualquer aplicação analítica, é preciso assegurar a coleta confiável, a transmissão estável e a governança de dados gerados na borda. O ecossistema IoT envolve redes de dispositivos, gestão de SIM cards em larga escala e políticas de segurança que garantem a integridade e a disponibilidade das informações operacionais.
À escala global, as projeções para as conexões IoT são expressivas: de 19,8 bilhões em 2025 para 40,6 bilhões em 2034. Na América Latina, o Brasil lidera o investimento na região, respondendo por cerca de 40% do montante total, o que evidencia que transformação digital começa a virar infraestrutura.
Projetos de inovação costumam iniciar pela camada de aplicação, mas a qualidade dos resultados depende diretamente da robustez da conectividade na borda, onde sensores embarcados, dispositivos M2M e rastreadores capturam variáveis como temperatura, vibração e geolocalização. Falhas de coleta ou de transmissão elevam latência e reduzem a confiabilidade da cadeia analítica.
Além de ganhos operacionais, a IoT se alinha à agenda ESG, com monitoramento energético, controle de consumo e redução de perdas. A inteligência artificial, muitas vezes tratada como ponto de partida, emerge como camada dependente de dados operacionais bem estruturados, históricos e consistentes.
À medida que milhares de dispositivos são integrados à operação, a gestão centralizada de conectividade, segmentação de rede, criptografia e monitoramento em tempo real tornam-se indispensáveis, elevando a IoT ao status de infraestrutura crítica para continuidade de negócio. A Lei nº 14.108/2020, que ampliou significativamente as conexões M2M/IoT no Brasil entre 2021 e 2025, é citada como marco da aceleração do setor.
* Sobre o autor – Daniel Tibor Fuchs é sócio fundador do Grupo Datora. As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente a visão de TELETIME.