A Ericsson Latam South afirma que a expansão da inteligência artificial “física” — integrada a robôs, drones, óculos de realidade aumentada e câmeras móveis — deve pressionar a infraestrutura de telecomunicações e provocar mudanças no planejamento, operação e monetização das redes móveis.
Em entrevista recente, o CEO Rodrigo Dienstmann destacou que a IA está saindo do patamar de prompts em data centers para soluções que dependem de conectividade com latência mais baixa, tráfego intenso e computação distribuída. “A IA está se movendo do prompt para uma IA física”, afirmou.
Segundo Dienstmann, esse movimento exige uma arquitetura de inferência descentralizada, pois o poder computacional precisa estar próximo da borda para manter baixa latency. “Nem tudo pode ficar no dispositivo; senão óculos de AR/VR consumirão muita energia e ficarão pesados”, completou.
A leitura da Ericsson também aponta uma mudança no perfil de tráfego: na IA física, o envio de dados tende a aumentar por imagens, áudio e telemetria, em contraste com a IA baseada em texto, que costuma exigir mais envio de resultados. Hoje, as redes são desenhadas principalmente para consumo humano, com downlink dominante, e passarão a exigir um novo paradigma de rede.
Faustino, CTO da Ericsson Latam South, afirmou que a empresa já aplica IA em várias camadas de seu portfólio — base bands de RAN, core, software de core e aplicações no BSS — e que o tema atual envolve camadas de coordenação para o uso de agentes de IA em domínios diversos da rede. O SMO (Service Management and Orchestration) é citado como camada de políticas para gerenciar esse conjunto de agentes.
Na prática, a Ericsson aponta para CAPEX mais seletivo, com retorno esperado bem definido, e para a necessidade de monetizar recursos avançados do 5G, como a venda de slices. A empresa acredita que a IA aplicada à operação trará ganhos de eficiência, redução de intervenção manual e melhoria da experiência do cliente, desde que haja novos modelos de negócio que sustentem a expansão da rede com uplink, latência reduzida e maior autonomia.