Segundo estudo publicado pela Anatel, a parcela de brasileiros com nível básico de habilidades digitais subiu de 18,3% em 2022 para 21,3% em 2025. Ainda assim, a maior parte da população continua sem competências consideradas essenciais para uso pleno e seguro das tecnologias digitais.
O avanço foi puxado pelo uso cotidiano de serviços digitais, com serviços bancários utilizados por 48,8% da população e compras online por 44,4%.
Por outro lado, a parcela de pessoas com habilidades acima do básico caiu de 14,1% para 13,6%; o estudo também registra retração em áreas como segurança digital e criação de conteúdo.
Somados, os detentores de conhecimentos digitais básicos e avançados somam 35% da população, enquanto cerca de 65% apresentam conhecimento fragmentado ou nulo. A maior concentração está nos níveis “baixo” (29%) e “muito baixo” (17,6%), indicando lacunas para o ciclo completo das cinco competências digitais.
O diagnóstico utiliza uma metodologia atualizada, alinhada à UIT e ao DigComp 2.2, que ampliou a análise de nove para 20 indicadores de competência.
O Brasil continua distante dos líderes globais. Em alfabetização em informação e dados, o país ocupa a 32ª posição mundial, e em segurança acima do básico está em 18º lugar entre 29 nações com dados divulgados. Em resumo, o consumo digital cresce rapidamente, mas as competências para inovar e se proteger ainda estão abaixo do ideal.
Desigualdades estruturais persistem: Norte e Nordeste, áreas rurais, classes DE e pessoas com menor escolaridade costumam apresentar os menores índices; as mulheres, por sua vez, evoluíram em áreas como comunicação e resolução de problemas, mas ainda enfrentam defasagens técnicas como programação.
Entre as metas de longo prazo, a Anatel projeta ampliar a educação digital até 2050: até 2030, 32% da população com nível acima do básico em segurança, chegando a 66% em 2050; e 58% da população alfabetizada em informação e dados até 2030, 83% em 2050. “A efetiva inclusão digital depende tanto do acesso quanto da capacidade de uso”, afirmou Octavio Pieranti, conselheiro da Anatel.