Em 2026, a tecnologia deixa de ser apenas uma alavanca de eficiência e passa a ocupar o centro da estratégia corporativa. O trio de fatores — maturidade tecnológica, pressão econômica e aumento de riscos — está redesenhando a forma como as empresas adotam tecnologia, migrando de perguntas sobre o se deve investir para perguntas sobre como e em que velocidade.
A IA deixa de ser um diferencial pontual e passa a ser infraestrutura lógica, integrada aos fluxos de negócio. A IA generativa se consolida como ferramenta corporativa, com modelos de linguagem, visão computacional e geração de código conectando operações ao atendimento, jurídico, marketing e desenvolvimento. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com explicabilidade, vieses, proteção de dados, dependência tecnológica e o impacto regulatório, tornando a governança de IA uma disciplina obrigatória.
A automação inteligente não fica mais restrita a scripts ou robôs; ela evolui para decisões baseadas em contexto, aprendizado e análise preditiva. Funções operacionais são parcialmente absorvidas por sistemas, enquanto profissionais humanos passam a se dedicar a atividades analíticas, criativas e estratégicas. A gestão de talentos digitais, o redesenho de papéis e a governança de dados deixam de ser opcional para se tornar parte da estratégia de transformação.
A centralidade dos dados atinge um novo patamar: surgem arquiteturas modernas como data mesh e data fabric, com governança distribuída e dados tratados como produto pelas áreas de negócio. A qualidade, a segurança e a conformidade passam a ser políticas compartilhadas, sustentadas por plataformas robustas. O uso de dados em tempo real é crítico para análises preditivas, detecção de fraudes e personalização, tornando a maturidade de dados um dos principais indicadores de prontidão digital.
A computação em borda, multi-cloud e ambientes híbridos ganham protagonismo, aproximando o processamento da origem dos dados para atender a requisitos de baixa latência e alta disponibilidade. O edge deixa de ser tendência e se integra à arquitetura padrão, enquanto o multi-cloud é visto como estratégia de resiliência e de otimização de custos. Gerenciar ambientes distribuídos exige visibilidade unificada, automação avançada e políticas de segurança consistentes, exigindo profissionais cada vez mais qualificados para operar nesse ecossistema.
No âmbito da segurança, a ênfase migra para proteção de ecossistemas completos — parceiros, fornecedores, clientes e plataformas digitais — com Zero Trust, gestão baseada em identidade e proteção contínua de dados. A pressão regulatória aumenta a necessidade de evidências de controles e respostas a incidentes. A sustentabilidade digital emerge como imperativo tecnológico, impulsionando eficiência energética, uso de hardware especializado e métricas ESG integradas aos indicadores de TI. O papel da liderança de TI evolui: o CIO torna-se estrategista de inovação e integração, o CISO amplia atuação para gestão de riscos e conformidade, e toda a liderança tecnológica precisa alinhar tecnologia aos objetivos do negócio para sustentar inovação, eficiência e segurança.