O governo federal assinou nesta quarta-feira um Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério da Gestão, o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e a Google, para utilizar imagens de satélite de alta resolução do ano de 2008 como base das análises ambientais no marco temporal do Código Florestal.
A iniciativa visa aprimorar a qualidade das informações utilizadas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), principal instrumento de monitoramento e regularização ambiental de imóveis rurais, incorporando uma base inédita de imagens do ano que define o marco legal para a vegetação nativa. Com isso, o governo pretende aumentar a precisão das análises e reduzir inconsistências nos registros.
A cooperação também representa um avanço na integração de dados e no uso de tecnologias digitais na gestão ambiental. A nova base permitirá acompanhar, com maior detalhamento, as transformações no território ao longo do tempo, fortalecendo a capacidade do Estado de identificar passivos ambientais e de verificar a conformidade das propriedades com a legislação.
Durante o painel pós-assinatura, Tasso Azevedo, coordenador-geral da iniciativa MapBiomas, destacou os avanços do Brasil no uso de sensoriamento remoto e geoprocessamento na última década. Segundo ele, a ampliação dessas ferramentas possibilita a identificação sistemática de desmatamento a partir de imagens comparativas em todo o país.
Um diferencial apontado é a possibilidade de realizar análises em nível de propriedade rural, graças à base pública do CAR, que reúne informações de mais de 8 milhões de imóveis. Segundo Azevedo, esse modelo não encontra paralelos em outros países onde o MapBiomas atua. A parceria reforça a abertura e o compartilhamento de dados, consolidando o CAR como infraestrutura pública digital orientada à transparência.
Para o SFB, o diretor de Regularização Ambiental Rural, Marcos Vinícius da Silva Alves, a iniciativa amplia a base de dados disponível e permite análises mais precisas. Ele destaca que o objetivo não é apenas validar informações declaradas no CAR, mas avaliar a conformidade ambiental das propriedades com o cruzamento de diferentes fontes de dados. Encerrando o debate, o Google, represented by o chefe de Parcerias do Produto Geográfico, Ivan Patriota, explicou que o projeto se sustenta em três pilares: processamento em larga escala, uso de inteligência artificial para detecção de mudanças e infraestrutura de nuvem, pilares fundamentais para transformar grandes volumes de dados em informações úteis para a tomada de decisão.