A operadora de satélites Eutelsat anunciou que não seguirá adiante com a venda dos ativos de infraestrutura terrestre passiva do grupo ao fundo de private equity EQT Infrastructure VI.
O fracasso da operação decorre de uma intervenção direta do governo francês, que considerou os ativos como estratégicos. “Decidi não permitir que a Eutelsat, uma grande empresa de satélites, vendesse suas antenas terrestres que se comunicam com satélites”, disse o ministro das Finanças da França, Roland Lescure, em entrevista à TF1.
O acordo, anunciado em dezembro de 2024, previa a alienação dos ativos por um valor que resultaria em cerca de 550 milhões de euros em recursos líquidos para a operadora.
Em comunicado ao mercado, a Eutelsat afirmou que a alienação de seus ativos de infraestrutura terrestre passiva não prosseguirá, uma vez que não foram satisfeitas todas as condições precedentes. A EQT confirmou o cancelamento do acordo e informou que buscará oportunidades de investimento em infraestrutura terrestre de satélites em outros mercados.
A preocupação com soberania foi um ponto central da decisão. O ministro Lescure afirmou que as estações terrestres e antenas são utilizadas tanto para comunicações civis quanto militares. “A Eutelsat é única concorrente europeia da Starlink. É obviamente um ativo estratégico, então eu disse não”.
Segundo a França, o governo é o maior acionista da Eutelsat, com participação de 29,6%. O Reino Unido também detém participação na empresa após a aquisição da OneWeb pela operadora francesa, em 2023.
“A não conclusão da transação não afeta a capacidade da empresa de financiar os investimentos relacionados à sua trajetória estratégica de crescimento”, afirmou a Eutelsat em comunicado ao mercado.