As distribuidoras de energia defendem manter sob seu controle a gestão do compartilhamento de postes com o setor de telecomunicações, ou, na hipótese de transferência, a criação de subsidiárias para a tarefa.
O posicionamento foi apresentado por Ricardo Brandão, diretor executivo de Regulação da Abradee, durante o Abrint Nordeste 2025, em Fortaleza. Ele afirmou que as concessionárias desejam ampliar as prerrogativas do posteiro, fortalecendo a organização e a fiscalização dos postes.
Brandão destacou que não é prioridade ceder compulsoriamente a gestão, pois a distribuidora pode não ter todas as ferramentas exigidas pela resolução vigente. Ele também observou que há entre oito e dez mil postes com cabos desordenados no Brasil.
Quanto à transferência para terceiros, a Abradee afirma que, se houver mudança, a solução mais viável seria a criação de uma subsidiária dentro do mesmo grupo econômico, com contratos entre partes relacionadas para facilitar a operação e permitir uma visão clara de custos, cobranças e gestão contratual.
Durante o painel, representantes da Conexis e Telcomp defenderam uma proposta setorial para os postes e defendem diálogo entre setores. A ideia é reduzir disputas entre elétricas e telecom em prol de uma solução regulatória estável, com sandbox para testes propostos pela Telcomp e debate sobre o preço teto de 5,44 reais.
O tema também envolve judicialização. Breno Vale, presidente da Abrint, alertou que litígios podem gerar passivos para o setor de banda larga, reforçando a necessidade de uma solução estruturada que envolva reguladores, distribuidores e provedores. O jornalista viajou a Fortaleza a convite da Abrint.