A cibersegurança deixou de ser tema operacional para se tornar um vetor central de valor, risco e continuidade dos negócios. Nesse contexto, o CISO passa a dialogar diretamente com o board, influenciando investimentos, orientando a transformação digital e protegendo a reputação da organização.
O primeiro passo para o CISO no board é adotar a linguagem da alta gestão: falar dos riscos que ameaçam a estratégia, dos cenários que podem impactar o crescimento e de quanto a empresa está disposta a investir para mitigar esses riscos. A narrativa muda de controles para gestão de riscos corporativos, com foco em exposição, impacto e resiliência.
O novo perfil do CISO estratégico não é apenas técnico; é um executivo com visão de negócio. Ele precisa contar histórias com dados, apresentar cenários e defender investimentos, atuando como ponte entre áreas como jurídico, compliance, finanças, RH, marketing e operações para que a segurança se integre aos processos de negócio e não atrapalhe a inovação.
A atuação é estruturada pela pirâmide invertida: no topo estão os riscos críticos ao negócio, seguidos pelos cenários de impacto. Detalhes técnicos aparecem apenas de forma resumida, para que o board confie na consistência do plano e na proporcionalidade do risco assumido pela organização.
A agenda também envolve ESG, governança e reputação. Incidentes que envolvem proteção de dados afetam a confiança de investidores e parceiros, tornando a governança de cibersegurança um diferencial competitivo. O CISO do futuro tende a ser um líder híbrido, capaz de gerar valor e sustentar a inovação com segurança, apoiado por uma cultura de segurança que envolve toda a organização.