O BNDES projeta lançar, no começo de 2026, um fundo de investimentos voltado à IA e à infraestrutura de data centers, com recursos estimados entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão, conforme afirmou o banco durante a abertura de um evento no Rio de Janeiro.
O fundo deverá seguir um modelo de operação semelhante ao usado no fundo de minerais críticos, criado em parceria com a Vale e gerido por um consórcio das gestoras BB Asset, JGP e ORE. A fase inicial prevê aportes de R$ 500 milhões e a intenção é captar até R$ 1 bilhão junto de investidores, com o BNDES e um investidor parceiro assumindo, inicialmente, 25% de participação cada um, seguido de um edital para a seleção do gestor responsável pela administração dos recursos.
A iminente queda da Selic deve impulsionar investimentos de médio e longo prazo em tecnologia e infraestrutura, segundo Narim Barbosa. Ele acredita que, nos primeiros meses de 2026, a redução da taxa básica favorecerá projetos de transformação digital, incluindo IA e infraestrutura de data centers.
Ainda conforme o quadro de metas do BNDES, o banco busca elevar as aprovações de crédito para 2% do PIB até 2026 (com possibilidade de atingir 2% até 2028) e prevê desembolsos de 1,5% do PIB em 2026, mantendo o foco em financiamentos de longo prazo. O governo também acompanha a tramitação da Medida Provisória Brasil Soberano, que poderia liberar cerca de R$ 30 bilhões em crédito para empresas impactadas por tarifas norte-americanas, com o BNDES monitorando o desenrolar do texto no Congresso.
O lançamento do fundo para IA e data centers demonstra o alinhamento do BNDES com a agenda de tecnologia e inovação do país. A expectativa é que o veículo atraia novos investidores, estimule a digitalização de setores como agronegócio, saúde e indústria, e fortaleça a infraestrutura digital brasileira, contribuindo para a competitividade global do Brasil.