Em 2026, o debate sobre inteligência artificial nas empresas ganhou tom de alerta: a promessa de produtividade continua no radar, mas os riscos reais crescem quando as alucinações — respostas erradas, inventadas ou distorcidas — são usadas para fundamentar relatórios, análises e decisões estratégicas. O efeito colateral, antes visto como falha de um chatbot, agora impacta processos centrais e a governança corporativa.
Segundo a análise publicada pela CartaCapital, as alucinações deixaram de ser episódios pontuais para afetar a gestão cotidiana, influenciando interpretações de dados com velocidade que supera a capacidade das organizações de entender limites e vieses. O pesquisador Ricardo Cappra afirma que esses desvios expõem fragilidades na forma como os modelos combinam dados e constroem respostas, questionando a confiabilidade das informações geradas.
No dia a dia, o risco se materializa em interpretações incorretas, potencialmente levando a decisões erradas, perdas financeiras e impactos jurídicos. Um levantamento da FTI Consulting, repercutido pelo JOTA, aponta que 85% de diretores jurídicos acreditam que os riscos associados ao uso de IA vão aumentar, e 51% dos departamentos já listam a IA entre os cinco maiores riscos jurídicos.
A discussão se intensifica com o conceito de Shadow AI — uso de ferramentas públicas não homologadas que copiam dados para fora do perímetro de governança. Dados de Gartner estimam que 69% das organizações têm evidências de uso não autorizado de IA generativa, e a projeção é de que mais de 40% enfrentem incidentes de segurança ou conformidade relacionados a Shadow AI até 2030.
Para CIOs e CISOs, o cenário demanda governança rigorosa, validação de conteúdo e maior supervisão humana. A recomendação é ampliar treinamentos que promovam leitura crítica das respostas geradas, redefinir qualidade com verificabilidade e criar trilhas de validação por criticidade — especialmente para conteúdos sensíveis como contratos, auditorias e decisões de risco. Dados locais reforçam o desafio: na Brasil, a adoção de IA é alta, com 86% das empresas já usando IA, segundo estudo global da KPMG de 2025.
A conclusão é clara: não existe um piloto automático confiável para a IA. A maturidade em 2026 passa menos por “rodar” tecnologia do que por manter a supervisão humana, validação e governança constantes para evitar que a máquina decida sozinha. O tema é central para quem gerencia tecnologia, risco e compliance nas organizações.