Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) indicam que o Brasil encerrou 2025 com a maior retração da base de assinantes de TV por assinatura dos últimos anos. O Serviço de Acesso Condicionado (SeAC) terminou dezembro de 2025 com cerca de 7,6 milhões de pontos ativos, ante 9,2 milhões em dez/2024 e 11,7 milhões em 2023, representando uma queda de 35% em apenas dois anos.
O recuo de 2,5 milhões de clientes em 2025 consolida uma mudança estrutural no consumo audiovisual do país, com o streaming ganhando ritmo consistente em domicílios brasileiros. A migração não apenas reduz a base de TV paga, como também reforça a penetração de plataformas de vídeo sob demanda como principal formato de acesso ao conteúdo audiovisual.
Abaixo, números por operadora (dez/2023, dez/2024, dez/2025) e participação de mercado:
- Claro: 4.092.391 acessos (53,7%)
- Sky: 2.116.031 acessos (27,8%)
- Vivo: 733.292 acessos (9,6%)
- Mileto (ex-Oi): 320.848 acessos (4,2%)
Observa-se ainda que, a partir de março de 2025, os dados da Oi passaram a integrar o negócio de TV paga sob a gestão da Mileto, após aquisição do grupo Mileto S.A. pela controladora do serviço.
Em termos de infraestrutura, a Anatel aponta que o total de acessos por meio técnico foi distribuído entre Satélite (DTH) com 3.702.990, Cabo Coaxial com 2.883.144, Fibra (FTTH) com 1.023.844, Rádio com 3.730 e Cabo Metálico com 1.866, totalizando 7.615.574 acessos. Mesmo com a expansão da fibra, as novas redes estão amplamente voltadas para streaming e dados, não para migração direta de assinantes de TV por assinatura.
Paralelamente, dados oficiais do IBGE, via PNAD Contínua TIC, mostram que o streaming já alcança 34 milhões de domicílios em 2025, representando 43,4% do total de lares. O crescimento em 2024 (32,7 milhões e 43,4%) e em 2023 (31,2 milhões e 42,1%) evidencia a consolidação do streaming como a principal alternativa de consumo audiovisual no Brasil, mesmo diante da queda da TV paga.