Nos últimos dez anos, Albervan Luz acompanhou de perto uma transformação que começou no pulso humano da organização e evoluiu para modelos operacionais ambiciosos. Ele afirma que a verdadeira virada não veio da tecnologia, mas do investimento constante em pessoas, aprendizado e na adoção de uma mentalidade ágil que permitiu times autônomos e multidisciplinares, livres de um antigo senso de comando.
À medida que squads se formaram — em produto, atendimento, finanças, marketing e tecnologia — ficou claro que apenas “fazer ágil” não basta. É preciso desapego, transparência e a coragem de mudar decisões no meio do caminho para não virar apenas uma rotina de práticas sem resultado. Essa visão levou a organização a avançar de eficiência operacional para transformação do negócio, promovendo o Digital como estratégia e tratando o produto digital como ativo central.
Um marco nessa trajetória foi o modelo ambiDEXtrous, cuja essência é manter um core tradicional sólido, gerador de caixa, enquanto, ao redor, emergem Hubs de Produtos Digitais como o e-Care, Pay, TV e SVA. O objetivo é criar um ecossistema vivo que conecte, experimente, aprenda e retroalimente o core, com foco em dados e no conhecimento tácito do cliente. Nesse contexto, Luz atuou por anos como CEO do Hub de e-Care, conduzindo um laboratório real de growth em produtos digitais, com OKRs audaciosos, metas exponenciais e uma cultura de produto fortemente enraizada.
A pandemia acelerou esse movimento, transformando o digital em sobrevivência. O medo, o isolamento e a exaustão emocional enfrentados pela equipe foram confrontados por uma aceleração tecnológica que já vinha ocorrendo, com a IA surgindo não como discurso do futuro, mas como ferramenta prática. Casos reais mostraram ganhos em atendimento, automação e prevenção de fraudes, além de uma nova prioridade: proteção digital, diante de vazamentos, golpes e engenharia social em larga escala.
Neste ciclo, Albervan Luz recebeu reconhecimentos e também aprendeu com falhas. Projetos que não escalaram e hipóteses erradas foram parte do caminho; o segredo, segundo ele, esteve na cultura de experimentação constante que manteve a organização em movimento. Um marco simbólico foi ver o aplicativo da empresa alcançar a maior nota nas lojas, sinalizando não apenas reputação, mas confiança, experiência e relevância prática para as pessoas no cotidiano.
Olhar para essa década é reconhecer que toda transformação digital é, antes de tudo, uma transformação de pessoas. E essa verdade, segundo Luz, não tem ponto final. Hoje ele atua como Country Manager da DMA na Itália, consolidando ainda mais a ideia de que tecnologia é um habilitador, mas a liderança humana é o motor da transformação perpétua.