Marc Murtra, presidente do grupo Telefónica, apresentou durante a assembleia geral de acionistas realizada em Madri a visão da empresa para o papel da operadora na Europa diante das mudanças geopolíticas em curso.
Segundo Murtra, a Telefónica quer liderar a consolidação do setor de telecomunicações europeu e associar esse movimento ao fortalecimento da soberania tecnológica do continente.
Ele afirmou que a transformação é profunda, tanto geopolítica quanto tecnologicamente, e que a empresa pretende integrar a resposta europeia a esse cenário, buscando ser a principal porta de acesso às tecnologias digitais para cidadãos, empresas e instituições.
O eixo central do discurso é a defesa da consolidação europeia, pois a fragmentação atual do setor freia investimentos e inovações, segundo a companhia, e é condição para que a Europa mantenha sua capacidade tecnológica em um ambiente internacional competitivo.
Citando a aquisição da Netomnia, no Reino Unido, Murtra exemplificou esse movimento de escala ao tempo em que observou o avanço na saída de países da América Latina, com desinvestimentos no Peru, Uruguai, Equador, Colômbia e Chile nos últimos 12 meses, já com Argentina fora do portfólio.
Murtra também destacou que a Telefónica é gestora de tecnologia crítica e infraestrutura crítica, atuando como ativo estratégico para Espanha e para a Europa, com planos para reforçar a soberania tecnológica europeia por meio da construção de uma cloud soberana com funções de IA e processamento de baixa latência em 17 edge data centers na Espanha, parte do programa Transform&Grow.
A estratégia apresentada aos acionistas foi organizada em cinco frentes: consolidação e liderança europeia; inovação e competitividade; ampliação da oferta de serviços; projeção institucional da Telefónica na Europa; e disciplina financeira, com horizonte de cinco anos.