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Shubao: tecnologia chinesa contra desertificação

Image © Itshow
A China está promovendo o Shubao na África para reflorestar dunas do Saara, conectando IA, IoT e energia solar, com implicações para TI e cibersegurança.

A China está estendendo ao Sahel um conjunto de tecnologias para reflorestar dunas e transformar áreas áridas em zonas produtivas. O dispositivo Shubao, aliado a drones com IA, sensores IoT e robôs agrícolas, foi apresentado na Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação e já chegou ao continente africano, com planos de atuação em 46 países vulneráveis à degradação do solo.

O Shubao funciona como uma solução de retenção e distribuição de água no solo, viabilizando culturas em dunas de areia e unindo reflorestamento, produção em estufas e redução de fertilizantes químicos. Em campo, o ecossistema envolve sensores de umidade e temperatura, drones que mapearão a vegetação e robôs para o plantio, tudo alimentado por energia solar.

Essa infraestrutura digital, porém, não fica apenas no aspecto ambiental. A expedição africana depende de redes 4G, redes de fibra óptica e data centers instalados pela Huawei em países do Sahel, com o China-Africa Cooperation Center on Satellite Remote Sensing para compartilhar dados de satélite. Em 2024, foi inaugurado o China-Africa Green Technology Park, na Mauritânia.

Especialistas apontam que esse movimento transforma a desertificação em um desafio de governança de dados. Mais de 500 milhões de pessoas na África vivem em regiões vulneráveis à seca, e a Grande Muralha Verde africana depende dessa infraestrutura para funcionar. O aumento da superfície de redes, sensores e armazenamento cria uma superfície de ataque para TI e uma questão de soberania sobre dados agro-ambientais.

As cifras da escala também impressionam: a China já reflorestou 36 milhões de hectares entre 2021 e 2025, elevando a cobertura florestal para 13,84% ao fim de 2024; no Taklimakan, milhares de hectares passaram a produção estável e a taxa de sobrevivência superou 85%. No Saara, a meta é restaurar 100 milhões de hectares até 2030.

Para diretores de TI e CISOs globais com operações no continente, o Shubao representa uma oportunidade de abrir mercados de segurança para infraestruturas críticas emergentes, ao mesmo tempo em que envolve riscos de cadeia de suprimentos e de governança de dados. O debate não é apenas ambiental: é sobre segurança de dados agro-ambientais, sobre quem controla a narrativa de resultados e sobre como alocar recursos com responsabilidade.

Leia mais no It Show e acompanhe nossas análises sobre TI e cibersegurança no sul global.

 

Itshow

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