A Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul instalou, em abril de 2026, o scanner GroundEye com Inteligência Artificial no Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Florestal Ceflor, em Santa Maria. O equipamento, adquirido por cerca de R$ 177 mil via o projeto Descarbonização da Agropecuária, entra em operação com a expectativa de ampliar a digitalização do setor agropecuário gaúcho.
O GroundEye funciona com duas câmeras posicionadas acima e abaixo da amostra. As imagens são processadas por um software embarcado, onde o algoritmo de IA extrai mais de 300 variáveis por semente analisada, incluindo peso, formato, coloração, espessura, rugosidade e o comprimento de plântula.
Do ponto de vista de TI, cada sessão de análise alimenta uma base de dados robusta, com potencial para aplicações de Big Data e análise preditiva ao longo do tempo. O objetivo imediato é treinar modelos que identifiquem com precisão o vigor e a germinação de lotes, automatizando avaliações antes dependentes de análises manuais.
Além de sementes, o GroundEye tem aplicações em entomologia, silvicultura, solos, microbiologia e forrageiras. A previsão é que a tecnologia também apoie a qualificação da produção de mudas de espécies florestais nativas, contribuindo para restauração de florestas do bioma gaúcho.
Mercado global de IA na agricultura deve alcançar US$ 4,7 bilhões até 2028. O investimento gaúcho de R$ 177 mil, ainda modesto, reflete uma tendência de digitalização do campo. Com isso, surgem desafios de segurança de dados e governança, exigindo políticas de proteção, controle de acesso e planos de resposta a incidentes para dados fisiológicos de sementes e patrimônio genético vegetal.
Para líderes de TI, a experiência gaúcha demonstra que visão computacional, IA e geração massiva de dados já estão no campo público brasileiro, trazendo oportunidades de inovação, ao mesmo tempo em que impõem responsabilidade sobre a proteção de informações sensíveis.