Como CEO da Beephish e com mais de 25 anos atuando como CISO, observo que o risco humano continua sendo o elo mais fraco da cibersegurança, mesmo com investimentos bilionários em tecnologia. A Gartner projeta que, até 2026, a mensuração precisa do risco humano pode reduzir incidentes em até 40%, reforçando a necessidade de dados sobre o comportamento das pessoas. O DBIR de 2024 aponta que 68% dos breaches envolvem um elemento humano não malicioso, uma queda modesta frente a 74% de 2023, mas ainda alarmante. No Brasil, estudos locais apontam custo médio de incidentes com falha humana em torno de R$ 1,5 milhão.
Por que mensurar? Métricas tradicionais, como taxas de conclusão de treinamentos, costumam mascarar a realidade. Dados mostram que 71% dos funcionários admitem comportamentos de risco, mas apenas 23% das organizações trabalham contra ameaças emergentes, como ataques via QR codes – que somaram 4,2 milhões de incidentes no 1º semestre de 2024. O custo do não mensurar é alto: o IBM Cost of a Data Breach 2024 coloca o custo global médio em US$ 4,88 milhões, com o erro humano respondendo por 24% dos incidentes, e no setor financeiro esse custo é maior ainda, com impactos diretos na detecção e resposta.
Abordagem orientada a dados: alinhar a mensuração aos padrões do NIST, como o SP 800-53, e combinar mensurações quantitativas com qualitativas. A exposição ao risco pode ser medida pela frequência de interações de alto risco, por exemplo, quantos e-mails suspeitos chegam por departamento e quantos downloads indevidos são bloqueados. No Brasil, 52% dos usuários corporativos clicam em links maliciosos mensalmente, segundo relatório da Kaspersky de 2024. Além disso, o conhecimento e habilidades devem ser avaliados com simulações contextualizadas; a taxa de acerto em phishing varia por contexto, e treinamentos personalizados elevam o desempenho em até 50% (KnowBe4, 2024). Atitudes e percepções revelam-se cruciais: 68% dos funcionários assumem riscos intencionais por pressão de trabalho, segundo pesquisas da Proofpoint, com preocupações crescentes sobre IA gerativa (81% dos profissionais de segurança temem esse impacto).
Como medir e agir? A integração de ferramentas é essencial: simulações de phishing com IA para cenários reais, com redução de falsos positivos em 30%; análise de logs via SIEM para capturar até 90% dos padrões comportamentais; uso do HFACS do NIST para categorizar erros, como fadiga, que responde por uma parcela relevante de incidentes.
Casos e ROI: globalmente, programas mensurados reduzem cliques em phishing em 60% (KnowBe4, 2024) com ROI de 5:1. Em saúde, a mensuração baseada em NIST tem mostrado redução de erros entre 20% e 28%, conforme estudos do Ponemon e de analistas da Gartner. A previsão de Gartner é de que um design human-centric, quando sustentado por métricas, possa reduzir incidentes em até 40% até 2026, demonstrando como dados transformam vulnerabilidades em vantagens competitivas.
Desafios e soluções: comece pequeno, piloto um departamento com forte apoio de liderança e foque em ROI para escalar. Integração com ferramentas legadas é um obstáculo; priorize plataformas modulares com IA que permitam implementação faseada e retorno rápido. A LGPD também impõe responsabilidade: 65% das multas da ANPD em 2023 foram por falhas humanas envolvendo dados pessoais. A mensuração orienta recursos onde mais importam, reduzindo riscos sem sacrificar privacidade.
Mensurar para empoderar: medir o risco humano não é burocracia, é alicerce para uma cibersegurança proativa. Adotar métricas baseadas em dados, desde simulações a análises comportamentais, transforma o elo fraco em defesa robusta, com ganhos de ROI, resiliência e alinhamento aos objetivos de negócio. Siga o Itshow no LinkedIn e assine a News para acompanhar as principais notícias do setor.