A representatividade feminina em TI não se resolve apenas com políticas de recrutamento. Um olhar sobre o episódio 06 da terceira temporada do Itshow revela que o desafio começa na infância, é reforçado pela cultura e se consolida ao longo da educação básica, da universidade e do ambiente corporativo, tornando-se uma questão estratégica de inovação e crescimento.
O debate reforça que é um problema estrutural: o funil de carreira começa com estímulos diferentes para meninas desde cedo, o que reduz, ao longo do tempo, a presença feminina em áreas de tecnologia e engenharia.
Dados do SWAR apresentados durante o episódio indicam gargalos na trajetória: embora as mulheres sejam responsáveis por cerca de 60% das concluintes universitárias, apenas 17% ingressam em cursos de tecnologia e aproximadamente 33% escolhem engenharia, com variações por especialidade.
A infância é o ponto crítico da desigualdade. Brinquedos, linguagem e exemplos culturais moldam a confiança das meninas em áreas técnicas. Conforme Ana Gaspar, “cientificamente não existe talento inato. O que existe é estímulo, oportunidade e treino”.
Na educação STEM, modelos que priorizam competição costumam favorecer meninos, enquanto meninas respondem melhor a propósitos e impactos sociais. Ana Carolina Cardoso aponta que “meninas querem transformar o mundo” e precisam de abordagens que conectem conteúdo técnico a relevância social.
Mesmo nas universidades, a permanência é desafiadora: estima-se que 25% das mulheres desistem no primeiro ano de cursos STEM, citando falta de representatividade, ambientes hostis e ausência de modelos femininos. O mercado de trabalho, por sua vez, registra maior dificuldade de acesso a cadeiras de alta liderança, ampliando o déficit de talentos.
Entre as práticas para mudança, a mentoria desponta como ferramenta efetiva: programas universitários de mentoria apresentam resultados concretos e ajudam no desenvolvimento de autoconfiança e trajetória de carreira. Além disso, é essencial envolver homens como aliados, valorizar soft skills e manter intencionalidade e compromisso de longo prazo para construir um ecossistema de TI mais diverso.