Uma das principais fornecedoras globais de redes de acesso para telefonia móvel (RAN), a Ericsson aponta que o reaquecimento do segmento dependerá do desenvolvimento, pelas operadoras, de novos casos de uso e aplicações de negócios. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (13), o presidente para o Cone Sul da América Latina, Rodrigo Dienstmann, afirmou que a aposta em casos de uso inovadores deve estimular os investimentos a longo prazo.
Segundo Dienstmann, o mercado de RAN na América Latina tem vivenciado retração após o pico de investimentos em 5G, ocorrido em 2024. Ele citou Brasil e Chile como exemplos de queda após o impulso inicial, enquanto a Argentina estaria em ritmo de pico este ano, porém com uma participação de mercado menor.
Para a Ericsson, a retração reflete a maior seletividade das operadoras, que passaram a analisar com muito mais cuidado o potencial de cada local antes de investir em novas redes. “De onde vem essa limitação? Do fato que elas não conseguem achar receitas novas no modelo de negócio atual”, destacou o executivo. “As operadoras ainda vendem pacotes de GB e ainda não exploram plenamente as capacidades avançadas do 5G; a nossa crença é que vão criar novos modelos de negócio.”
Como exemplo de aplicação futura, Dienstmann citou o Super Bowl de 2026, quando operadoras norte-americanas usaram recursos avançados do 5G — incluindo transmissão de vídeo em alta resolução com ondas milimétricas e terminais de pagamento — para elevar a experiência no Levi’s Stadium, em parceria com a AT&T, demonstrando o potencial de novas aplicações para o ecossistema.
Apostas avançam lentamente
O executivo reconheceu que algumas apostas da indústria estão avançando mais devagar do que o esperado. Entre elas, estão o 5G standalone, redes privativas baseadas em 5G, o adensamento de estações com small cells e o desenvolvimento de APIs abertas.
Por outro lado, a Ericsson afirmou haver maior interesse no Brasil pela ativação do 5G no campo e para contratos de redes privativas 4G/5G no setor portuário, ainda não anunciados. A companhia também reportou ganhos de participação de mercado na América Latina em relação à Nokia, ainda que tenha sofrido perdas recentes, como o contrato com a TIM. A Huawei é apontada como crescentemente mais ágil na região.
IA e redes do futuro
A ascensão da inteligência artificial (IA) é apontada pela Ericsson como um fator capaz de impactar as redes de forma significativa. Dienstmann afirma que o papel das teles na exploração da IA ainda precisa ser definido, mas já vislumbra oportunidades em áreas como inferência de borda e gestão de redes com IA, que no futuro poderão operar de forma autônoma.
Andréa Faustino, CTO da Ericsson para o Cone Sul da América Latina, revelou que a empresa está investindo em uma camada de governança de políticas para atuação de IA sobre as redes, um nicho já explorado no Mobile World Congress (MWC) de 2026, na Espanha.