O governo federal, por meio do Ministério das Comunicações, está alinhando as tratativas para implantar a TV 3.0, uma evolução da televisão aberta que combina transmissão tradicional com plataformas online.
Um workshop com especialistas do BID, Banco Mundial e equipes técnicas do governo discutiu aspectos jurídicos, técnicos, ambientais e sociais para viabilizar a liberação dos recursos, que pode chegar a US$ 500 milhões.
Segundo o Ministério das Comunicações, a proposta já recebeu aval da Comissão de Financiamentos Externos no fim de 2025. O processo segue agora pela Casa Civil, responsável por encaminhar ao Senado Federal a Mensagem Presidencial que autoriza a contratação do crédito externo.
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, afirmou que o financiamento está ligado a objetivos de inclusão digital e à ampliação do acesso da população a serviços públicos. Para os organismos multilaterais, o projeto está em estágio avançado e pode se tornar referência internacional.
A líder do BID no Brasil, Annette Killmer, destacou a combinação de tecnologia com políticas públicas voltadas à ampliação do acesso a serviços, educação e informação. A diretora do Banco Mundial para o Brasil, Cecile Fruman, avaliou que o país está em posição de destaque no desenvolvimento da TV 3.0 e pode compartilhar a experiência com outros países da região.
O presidente da Empresa Brasil de Comunicação, André Basbaum, afirmou que a participação do BID e do Banco Mundial confere maior previsibilidade institucional ao processo e reforça o papel da radiodifusão na transição tecnológica em curso. O workshop foi coordenado pelo secretário de Radiodifusão, Wilson Diniz Wellisch, e pelo diretor Tawfic Awwad Junior; representantes da Anatel também participaram.
A TV 3.0 é apresentada como a principal mudança da televisão aberta desde a digitalização. O modelo substitui a lógica de canais numéricos por um ambiente baseado em aplicativos, com conteúdo ao vivo e sob demanda, iniciado de forma gradual nas grandes capitais. Entre as funcionalidades estão 4K/8K, som imersivo, recursos de acessibilidade, interatividade e personalização da experiência do usuário, com acesso a serviços públicos digitais diretamente pela televisão.