Durante o Show Rural Coopavel 2026, o Fórum de TI das Cooperativas confirmou que cibersegurança passa a ser prioridade estratégica, reunindo 150 profissionais de Brasil, Paraguai e Argentina para debater IA, transformação digital e proteção de dados.
No campo, a Frísia Cooperativa Agroindustrial opera o Projeto Monitore em 109 propriedades no Paraná, conectando 23,5 mil vacas com colares da Cowmed. A coleta chega a 587,5 mil pontos de dados por segundo, incluindo informações de movimentação, ruminação e padrões de comportamento; os algoritmos de IA atingem mais de 95% de acurácia para cio e detecção precoce de doenças.
No âmbito da gestão de pragas, o Paraná lançou a CigarrinhaWeb, plataforma GIS que integra bancos de dados e interfaces web, com atualizações semanais. A iniciativa visa monitorar a cigarrinha-do-milho; perdas por pragas atingiram cerca de US$ 25,8 bilhões entre 2020/21 e 2023/24, com milhões de toneladas de milho afetadas. O estado tornou disponível dados públicos para apoiar análises preditivas.
Quanto à qualificação, ainda há déficit de talentos: 84% dos produtores já utilizam soluções digitais, mas 56% gerenciam atividades por planilhas. O Senar ampliou programas para operação de sistemas inteligentes, análise de dados e IoT, e a Embrapa Pecuária Sudeste coordena a Rede Space Farming Brazil com 56 pesquisadores de 22 instituições, com aporte de até R$ 20 milhões da Agência Espacial Brasileira para avanço em IA, automação e agricultura de precisão.
A agenda de eficiência energética também ganhou relevância para o agronegócio conectado. Estudos de 2026 mostram que projetos industriais de eficiência geraram economia média de 5% no consumo de energia, com impactos diretos no OPEX de datacenters e operações de edge computing em campo. Em termos práticos, a redução de temperatura e vibração em salas de servidores prolonga a vida útil de ativos críticos, reduzindo paradas.
Conclui-se que o setor está preparado para investir em tecnologia, desde que encontre parceiros que entendam suas particularidades. A mensagem para a indústria de TI é direta: tecnologia e proteção digital não são diferenciais, são requisitos básicos de operação para manter competitividade no campo brasileiro.