A TIM aponta que a experiência brasileira com o leilão de 5G de 2021 passou a servir de referência nas discussões sobre renovação de frequências na Itália, conforme afirmou Leonardo Capdeville, CTO do Grupo TIM.
Segundo Capdeville, o modelo adotado no Brasil acelerou investimentos em infraestrutura e viabilizou a implantação do 5G standalone desde o início, enquanto a Itália ainda opera majoritariamente com 5G non-standalone.
Em entrevista ao Tele.Síntese, o executivo disse que o governo italiano avalia uma lógica semelhante: vincular a renovação do espectro a uma ampliação de investimentos pelas operadoras, em vez de exigir apenas pagamento pela frequência.
Ele lembrou ainda que, no momento do leilão de 2021, a TIM Brasil defendeu publicamente que o país deveria privilegiar investimentos em rede, o que, na visão dele, ajudou o Brasil a avançar mais rapidamente para o 5G standalone.
Ao comparar os dois mercados, Capdeville destacou que a diferença não decorre de uma escolha técnica isolada, mas das condições econômicas e regulatórias. No Brasil houve espaço para priorizar infraestrutura, enquanto na Itália o peso financeiro da aquisição de frequências limitou os investimentos.
Capdeville citou que a TIM pagou 2,4 bilhões de euros no leilão anterior na Itália, o que pressionou o caixa e freou avanços subsequentes.
Ele também afirmou que a Europa ainda está atrás do Brasil na migração efetiva para o 5G standalone. A Itália, segundo ele, não concluiu essa transição e o uso do 4G permanece dominante, o que pode influenciar o debate regulatório europeu.
Rede fixa: Brasil e Itália tomam caminhos diferentes. Na Itália, a TIM manteve a separação entre acesso e backbone, vendendo a parte passiva da rede de acesso (cobre e fibra até a casa) enquanto o backbone/backhaul seguiram contratos de longo prazo; no Brasil, houve avanço de redes neutras, mas o resultado foi um arranjo mais fragmentado com recomposição de ativos, influenciado pela geografia e pela multiplicidade de provedores.
Capdeville ressalta que esse ambiente, tanto no Brasil quanto na Europa, pode influenciar as próximas renovações de espectro da União Europeia e o equilíbrio entre custos e investimentos em infraestrutura digital.