A Brasil TecPar anunciou a aquisição da operação de banda larga via fibra óptica da Ligga Telecom, em um negócio no valor de 495 milhões de reais. O contrato vinculado prevê o pagamento de 100 milhões de reais à vista, com os 395 milhões restantes sendo pagos na forma de ações. A TecPar também assumirá integralmente as obrigações com debenturistas da quinta emissão da adquirida.
A Ligga informou que a operação terá efeito de reforço de caixa e desalavancagem substancial das suas obrigações. A empresa também aborda a situação envolvendo o empresário Nelson Tanure, preso em um episódio anterior que remete a investimentos relevantes no setor de telecom, citando como contexto histórico para a reestruturação.
A aquisição fortalece a presença da companhia no estado do Paraná, posicionando-a como a terceira maior operadora por número de acessos no estado, com cerca de 385 mil linhas, e consolidando a Ligga como a quarta maior operadora de banda larga fixa do país. Com o negócio, a Brasil TecPar atinge o 60º M&A e passa a operar com 1,689 milhão de acessos, segundo a base da Anatel de dezembro de 2025.
Um dos diferenciais técnicos da operação é a utilização de cabos OPGW (Optical Ground Wire), instalados em torres de transmissão de energia, o que reduz significativamente o risco de interrupções em comparação com redes subterrâneas ou instaladas em postes urbanos. A transação também incorpora dois data centers em Curitiba, ampliando a capacidade nacional da TecPar na oferta de serviços de TI e armazenamento de dados.
No âmbito corporativo, aproximadamente 40% da receita da Ligga vem do mercado B2B e governamental, área considerada estratégica pela Brasil TecPar por oferecer maior previsibilidade contratual. Gilmar Balbinot, CCO B2B da Brasil TecPar, afirmou que a integração deverá ampliar a expertise técnica do grupo nesse segmento e fortalecer a oferta de conectividade para empresas de médio e grande porte, além de operações de atacado (wholesale).
Além de autorizações do Cade e da Anatel, a conclusão do negócio depende da aprovação de todas as instâncias de governança da Ligga e da anuência dos debenturistas.