O Ministério das Comunicações pretende divulgar, na próxima semana, a Política Nacional de Conectividade em Rodovias (PNCR). A medida envolve cooperação com o Ministério dos Transportes, a ANTT, governos estaduais e municipais, além de entidades privadas, e tem como objetivo estabelecer diretrizes para o roaming, cobertura em 4G ou superior e uso de recursos do Fust.
Dados oficiais apontam que o Brasil possui 72,6 mil quilômetros de rodovias federais pavimentadas, mas apenas 38,37 mil quilômetros contam com cobertura 4G ou 5G (52,9%). Os estados com maior conectividade são Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro, enquanto as melhores posições históricamente ocupadas por Roraima, Amapá e Amazonas indicam a necessidade de ampliação de rede nas áreas mais remotas.
A fragmentação da cobertura entre as três operadoras — TIM, Claro e Vivo — reduz a cobertura efetiva, já que nenhuma delas atua em todos os trechos. Hoje, a TIM cobre 39,6% das rodovias federais, a Claro 39,25% e a Vivo 34,8%.
O edital de 700 MHz, que deverá ter a publicação definitiva em breve, já se encaixa em algumas das diretrizes da PNCR, com previsão de cobertura de 8 mil quilômetros de estradas. Segundo o diretor Juliano Stanzani, esse número pode subir após análise do TCU.
Além disso, a operadora Claro, durante a migração de sua concessão para o regime de autorização, comprometeu-se a ampliar a cobertura em 4,7 mil quilômetros de rodovias, o que acrescenta 12,5 mil quilômetros à rede federal conectada. Com as novas regras de roaming, a cobertura deverá ganhar continuidade para todos os usuários. A expectativa é alcançar pouco mais de 50 mil quilômetros de rodovias federais cobertas ao final do processo.
Severino Medeiros, da ANTT, lembrou que as políticas voltadas ao mercado de transportes rodoviários estão sendo ajustadas para incluir conectividade. Dados da ANTT indicam que apenas 12% das rodovias brasileiras contam com redes 5G e 47% ainda utilizam 2G. A meta é tornar obrigatória a conectividade em 100% da extensão para todos os novos contratos de concessão após 2021, com 13 leilões previstos para 2026. As concessionárias avaliam que parcerias com empresas de telecomunicações devem tornar o custo adicional marginal.
Especialistas consideram o desafio viável mediante cooperação entre operadoras, concessionárias e governos. Gabriel Tartaglia, da IHS, cita acordos existentes para instalação de milhares de sites — estimando que seria necessário ampliar para cerca de 3 mil sites, com mais 5 mil potenciais para cobrir as rodovias federais. Thiago Rodrigues, CEO da LinksField, destaca opções como satélite e redes IoT (LoRa) enquanto 4G/5G não chegam, e ressalta a urgência de substituir o legado de 2G para evitar gargalos.