O ano de 2026 marca uma guinada na forma como as organizações encaram a proteção de dados, com o Chief Information Officer (CIO) conduzindo a reconfiguração orçamentária. Empresas de médio e grande porte elevaram a fatia destinada à defesa cibernética para patamares entre 18% e 35% do orçamento total de tecnologia, refletindo não apenas o aumento de ataques, mas também a maturidade dos conselhos em reconhecer que uma brecha pode comprometer décadas de reputação.
A nova anatomia do orçamento coloca a proteção de ambientes híbridos e multicloud no centro das decisões. A arquitetura Zero Trust deixou de ser conceito vanguardista para tornar-se padrão operacional, enquanto equipes especializadas em segurança ganham valorização e salários competitivos. O custo médio de manter uma equipe interna completa pode representar até 40% do orçamento da área, dependendo da complexidade da organização, enquanto soluções de detecção e resposta com IA passam a ocupar posições estratégicas nas planilhas.
Os investimentos também são justificados pelos vetores de ameaça que evoluíram rapidamente. Ransomware como serviço, ataques à cadeia de suprimentos e a proliferação de dispositivos conectados ampliam a superfície de ataque, exigindo auditorias de terceiros, monitoramento contínuo de parceiros e capacidades de detecção em tempo real. Ameaças patrocinadas por Estados-nação, com objetivos que vão além do lucro, elevam a importância de inteligência de ameaças e infraestrutura de detecção de ponta.
A conformidade regulatória atua como catalisador de gastos, com multas bilionárias e padrões como NIST, ISO 27001 e CIS Controls exigindo investimentos significativos em consultoria, treinamento e certificação. Setores como financeiro, saúde e infraestrutura crítica enfrentam requisitos mais rigorosos, o que tende a elevar o custo total de conformidade e auditorias.
Para o futuro, a indústria prevê continuidade da descentralização da infraestrutura, com edge computing, multicloud e aplicações desenvolvidas internamente exigindo defesas cada vez mais sofisticadas. A emergência de deepfakes e a pressão por autenticação biométrica avançada colocam a gestão de identidade em foco, enquanto a escassez de profissionais qualificados persiste como desafio estrutural. Nesse contexto, liderança engajada, governança sólida e métricas de retorno estão entre os pilares para justificar novos investimentos em proteção digital.