A edição de 2026 do Mobile World Congress (MWC) ocorreu em Barcelona, reunindo cerca de 105 mil pessoas de 207 países. A TELETIME acompanhou o evento e resume seis temas centrais que marcaram as conversas do setor.
IA everywhere: o MWC consolidou a Inteligência Artificial como elemento-chave das redes, serviços e dispositivos. Houve três visões para a IA no ecossistema de telecomunicações: redes programáveis integradas a agentes de IA; oferta de produtos com IA, edge computing e interfaces inteligentes; e IA nos smartphones e aparelhos, com assistentes e recursos generativos cada vez mais presentes.
Confiança nas redes: pela primeira vez em décadas, a prioridade é assegurar comunicação confiável e segura. O aumento de golpes digitais elevou o nível de proteção, com camadas adicionais de segurança, verificação de instalação de apps, gestão de tráfego suspeito e monitoramento de comportamento, principalmente em dispositivos corporativos com aplicações críticas.
Conexão D2D via satélite: a tendência foi tão marcante que a Starlink ocupou o palco para um keynote. Operadoras passaram a oferecer serviços D2D e empresas de satélite avançam em parcerias com operadoras ou em áreas com espectro disponível. A padronização do 5G já permite que sinais de celulares se conectem direto com satélites para pequenos pacotes de dados e voz; smartphones topo de linha já sustentam a tecnologia e a expectativa é de escalonamento nos próximos anos.
Preparação indireta para o 6G: a sexta geração de serviços móveis deve surgir em pilotos pré-padronização já em 2028, com as primeiras operações comerciais previstas para 2030. A adoção mais ampla de IA na rede e o foco em soluções B2B devem acelerar a transição, ainda que haja ceticismo quanto ao alto custo de um novo ciclo de investimentos pelas operadoras.
Soberania e desregulamentação: o debate ganhou contornos ambíguos em 2026. A União Europeia pressiona para controlar o acesso de vendors não confiáveis às redes, enquanto a burocracia local ainda busca reduzir a carga regulatória para favorecer negócios, gerando tensões sobre concentração de mercado. Paralelamente, as grandes operadoras enfatizam a necessidade de regulações que apoiem inovação e investimentos.
Além disso, o ecossistema de negócios (B2B) segue em evidência, com redes baseadas em IA abrindo portas para gestão de tráfego autônoma, APIs de rede, integração com IoT e serviços corporativos mais sofisticados, reforçando a importância estratégica do MWC 2026 para o setor.