Segundo a Juniper Research, as assinaturas de telefonia móvel via MVNO devem crescer 31,5% entre 2026 e 2030, passando de 333 milhões para 438 milhões de assinantes no mundo. Atualmente, apenas 3,4% dos usuários de serviços móveis contratam planos MVNO, mas a expectativa é que a participação suba para pelo menos 4,2% até o final da década.
O estudo destaca o protagonismo do que chama de “MVNO in a box” — também conhecido como Telecom as a Service (TaaS), MVNO as a Service (MVNOaaS) ou MVNO Experience (MVNx). Esse modelo permite que uma empresa assuma a operação móvel de terceiros, facilitando a entrada de novos players no mercado de MVNOs, inclusive de setores não tradicionais. A Juniper estima que esse formato amadureça nos próximos quatro anos, gerando receitas de até US$ 1,9 bilhão em 2030.
Para a consultoria, o crescimento depende de ofertas diferenciadas em relação às operadoras tradicionais, sobretudo por meio de uso estratégico de dados para criar propostas personalizadas, como franquias de dados por tipo de cliente. A operação virtual pode abrir espaço para participação em nichos de mercado, com vantagens competitivas frente às teles estabelecidas.
Entre os setores com maior potencial para migrar para o modelo MVNO estão fintechs, redes de supermercados e varejistas, empresas de tecnologia (incluindo OTTs) e personalidades públicas. O estudo cita o Nubank, que lançou a operadora NuCel em 2024 usando a rede da Claro, indicando que a MVNO do banco digital pode contribuir para ganhos de portabilidade. Experiências semelhantes já aparecem em países como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Polônia.
Alex Webb, analista sênior da Juniper Research, ressalta a necessidade de as empresas investirem em plataformas de análise que agreguem dados de toda a operação para orientar estratégias e campanhas de conversão de clientes existentes em assinantes MVNO. “As empresas precisam explorar dados para identificar táticas eficazes de conversão e fidelização”, afirma o analista.