No Mobile World Congress, Marc Murtra, presidente executivo da Telefónica, afirmou que a União Europeia precisa, neste momento, de escala, de uma regulação favorável à tecnologia e de maior velocidade para avançar na soberania tecnológica e estratégica, defendendo uma agenda mais integrada entre regulação e investimento em tecnologia.
Durante o painel O que significa a soberania tecnológica estratégica para a Europa?, Murtra destacou a consolidação do setor telco como o primeiro passo para que a Europa tenha mais recursos para investir em tecnologia. “Precisamos de empresas maiores, com mais recursos, maior capacidade de risco, melhor cobertura e a capacidade de realizar investimentos tecnológicos mais profundos”, afirmou, associando ganho de escala a um contrato social que reverteria em serviços melhores e maior competitividade.
Em relação à regulação, o executivo disse que a UE deve priorizar a criação de tecnologia, estabelecendo um ambiente que favoreça investimento e inovação. “A regulação deve ser favorável à tecnologia e permitir investimento e inovação”, completou, defendendo um marco regulatório que acompanhe o ritmo da transformação tecnológica.
Sobre a aceleração da inteligência artificial, Murtra pediu rapidez na adaptação regulatória, observando que os modelos de IA surgem com uma cadência quase mensal e que esse dinamismo altera a forma de programar, testar e desenvolver produtos digitais. “Neste setor, temos assistido a mudanças tecnológicas sem precedentes nos últimos três meses com a IA”, destacou, ressaltando a necessidade de acompanhar esse dinamismo com políticas públicas ágeis.
Por fim, o CEO ligou soberania europeia a capacidades próprias em cibersegurança, gestão de software hiperescalável e IA, alertando que depender de tecnologia de terceiros pode trazer riscos. “Não vejo como a Europa pode ser soberana sem produtos de cibersegurança, sem gestão de software hiperescalável, sem capacidades de IA e sem acesso aos algoritmos que moldam como nossas crianças e adultos percebem o mundo.”