Um novo olhar sobre governança de segurança coloca em evidência o mapa invisível de poder que atua paralelamente à estrutura formal de uma organização. Enquanto o organograma aponta apenas cargos, as decisões reais são moldadas por influências informais, alianças silenciosas e silêncios estratégicos que nem sempre aparecem nos relatórios.
Quando um projeto de segurança trava, quase sempre não é por falha técnica. A resistência costuma nascer de quem não foi ouvido, de quem se sentiu exposto cedo demais ou de alguém que, embora não apareça oficialmente, controla pontos de alavancagem decisivos. O CISO que lê esse mapa evita medidas puramente técnicas e investe em leitura de poder para alinhar menorias políticas com objetivos de negócio.
Entre os pontos centrais, está a ideia de que a influência não precisa ser visível. Figuras sem cargos elevados, mas com acesso estratégico, podem desviar, retardar ou redirecionar iniciativas apenas pela rede de relacionamentos que constroem fora da sala de reuniões. O erro comum é confundir visibilidade com poder real.
Outra lição essencial é diferenciar quem “manda” de quem “influencia”. Quem manda tende a se expor, enquanto quem influencia atua com antecedência, moldando o tom da conversa antes de cada slide ser projetado. Reconhecer essa distinção evita wastage de energia em interlocutores errados e fortalece a estratégia do CISO.
As perguntas estratégicas que raramente aparecem nos documentos oficiais ajudam a mapear esse ecossistema: quem ganha com o status atual, quem tem medo de perder espaço e quem se beneficia de inércia. Com esse inventário, o CISO é capaz de antecipar resistências e cultivar alianças discretas que protegem o caminho da implementação.
No fim, a leitura de poder não é manipulação, mas inteligência estratégica. Vence quem entende o jogo real — aquele que acontece fora dos holofotes — e não apenas quem apresenta a melhor solução técnica. Siga os conteúdos da Itshow para ficar por dentro de práticas e debates sobre liderança em TI e cibersegurança.