Após atingir pico em 2021, operações de fúndei e aquisição (M&A) no mercado de banda larga vêm desacelerando significativamente desde 2023, sobretudo em função dos juros elevados, que encarecem a captação de crédito para financiamento. A pesquisa da Alvarez & Marsal (A&M) aponta que foram realizados 135 M&As no setor de fibra óptica entre 2020 e 2025, com o auge ocorrendo nos anos de 2021 (35 transações) e 2022 (34). Nos últimos três anos, porém, o ritmo caiu: 20 em 2023; 17 em 2024; e 14 em 2025.\n
Entre as 135 operações, mais da metade (74) envolveram a aquisição integral de um provedor de serviços de Internet (ISP) — ou seja, M&A puro, no qual uma empresa adquire a outra na íntegra. Outras 48 operações trataram da aquisição de redes de fibra óptica, e as demais 13 envolveram ativos variados, como aquisição de carteira de clientes.\n
Para 2026, o head de M&A e capital markets da A&M, Fernando Szterling, afirma que “2026 é uma incógnita”, e que atualmente observa “um ligeiro esfriamento” no primeiro trimestre, porém de intensidade bastante marginal. Mesmo assim, há sinais de atividade, como a aquisição da carteira de banda larga da Ligga pela Brasil TecPar, além de indicações macroeconômicas que podem favorecer o mercado, como a possibilidade de queda de juros nos Estados Unidos acompanhada de movimento semelhante no Brasil. A retomada de IPOs, como o da fintech PicPay em Nova York, também é vista como indicativo de recuperação.\n
O especialista destaca que, na retomada dos M&A, provedores com carteiras de clientes corporativos (B2B) devem se tornar os ativos mais interessantes. “São clientes com menor churn e tíquete mais alto. As companhias de médio porte com perfil B2B são as joias que as grandes operadoras, o top 10 do mercado, buscam”, aponta.\n
Além disso, o M&A é visto como forma de gerar caixa para reduzir a alavancagem. A aquisição de base de clientes, por exemplo, pode injetar receita de maneira mais imediata. “A ideia é aumentar a carteira, porque isso aumenta a receita, mas o aumento dos custos não é proporcional. A receita cresce mais do que os custos, justamente pelo efeito de reduzir a estrutura de custos da empresa adquirida”, resume o estudo.