De acordo com a IDC, as expectativas para 2026 indicam um recuo de 12,9% nos embarques globais de smartphones, atingindo 1,12 bilhão de unidades, em meio a custos crescentes de memória e a uma pressão de preços no setor.
Esse movimento deve levar o mercado ao menor volume anual das últimas mais de uma década, com o efeito mais intenso sobre fabricantes de baixo custo, segundo Francisco Jeronimo, vice-presidente da IDC para Worldwide Client Devices. O choque é descrito como originado na cadeia de suprimentos de memória, e as empresas com maior poder financeiro e posicionamento premium tendem a atravessar melhor o ciclo, citando Apple e Samsung como referências frente a concorrentes menores.
Além do recuo de volume, a IDC aponta para um ASP (preço médio de venda) recorde, estimando alta de 14% em 2026, para US$ 523. Esse movimento acompanha o aumento de custos e a tentativa de preservar margens, com maior ênfase em modelos de maior valor. Nabila Popal, diretora sênior de pesquisa, afirmou que a crise de memória representa uma redefinição estrutural do mercado.
A IDC também alerta que, mesmo com a estabilização de preços de memória até meados de 2027, o segmento abaixo de US$ 100 pode se tornar permanentemente inviável, projetando cerca de 171 milhões de aparelhos nessa faixa.
Para 2027 e 2028, a consultoria prevê recuperação gradual: 2% em 2027 e 5,2% em 2028, sugerindo que o mercado possa retornar a um ritmo modesto de crescimento conforme os custos de memória se estabilizam.