Um terço das empresas brasileiras do agronegócio já reporta aumento de receita diretamente atribuído ao uso de Inteligência Artificial, segundo a PwC na 29ª Global CEO Survey. A pesquisa destaca que 63% dos CEOs do setor veem a inovação tecnológica como essencial, superando a média global de 50% e sinalizando uma transformação acelerada no campo que aumenta a demanda por infraestrutura de TI e cibersegurança.
A adoção de IA no agronegócio opera em três eixos: operacional, com automação no controle de pragas, irrigação e sensores conectados; gerencial, com algoritmos para controle de custos e gestão de estoque; e estratégico, com modelos de machine learning para previsão de preços e rastreabilidade de produtos, proporcionando maior visibilidade sobre tendências de mercado e planejamento de safras.
Economicamente, a pesquisa aponta que 33% das empresas do setor registraram redução de gastos operacionais com IA, enquanto 48% não perceberam alterações significativas nos custos. O retorno sobre o investimento ainda parece entrar em maturação, ainda que haja avanço na competição por novos mercados, com 51% das empresas dizendo ter expandido geograficamente ou de produtos nos últimos cinco anos.
A transformação no trabalho também já se apresenta: cerca de 60% dos CEOs esperam menor demanda por profissionais em início de carreira nos próximos três anos, enquanto a demanda por especialistas em ciência de dados, engenharia de software e segurança da informação cresce, exigindo perfis mais técnicos e aptidão para trabalhar com tecnologias emergentes.
Desafios de infraestrutura acompanham a digitalização acelerada: conectividade rural limitada aumenta a necessidade de redes mais robustas e soluções híbridas que suportem conectividade intermitente, além da proliferação de dispositivos IoT para monitoramento climático, saúde animal e condições do solo. A nuvem surge como solução-chave para armazenamento e processamento de dados, com infraestruturas dedicadas ao setor acompanhando a demanda por plataformas de gestão de dados e cybersecurity.
A segurança cibernética emerge como prioridade, com vulnerabilidades em automação e máquinas conectadas ganhando atenção de especialistas. A rastreabilidade digital, embora crucial para mercados internacionais, aumenta os vetores de ataque, levando à adoção de blockchain e criptografia avançada para manter a integridade das informações ao longo de toda a cadeia produtiva. Mesmo com o alto ritmo de adoção, 54% da agenda dos CEOs permanece voltada para temas de curto prazo, exigindo equilíbrio entre ganhos rápidos e transformação digital sustentável, com oportunidades para fornecedores que ofereçam plataformas integradas de automação, análise de dados e segurança cibernética.