No painel “Perspectivas: o futuro da educação, IA e a realidade das escolas”, realizado no evento de educação do Tele.Síntese, em Brasília, os debatedores defenderam que a IA tende a avançar na escola, mas seu êxito depende da formação de docentes, de regras de uso e de uma gestão que preserve o pensamento crítico dos alunos.
Maria Rehder, da UNESCO Brasil, enfatizou que a adoção da IA deve seguir um modelo centrado no ser humano, com foco em inclusão, ética e senso crítico. Ela lembrou que os marcos da UNESCO estimulam o uso responsável, questionador e criativo da tecnologia pelos estudantes, e que a formação inicial e continuada de professores é essencial para que o movimento prospere.
A reitora Rozana Reigota Naves, da UnB, destacou que a mudança maior está no papel do professor — não apenas como transmissor, mas como mediador que orienta perguntas e aprendizado dirigido pela pesquisa. Ela ainda apontou a necessidade de tratar a IA como tema transversal, com atenção às questões éticas na produção de trabalhos científicos, e não como disciplina isolada. A UnB tem investido em infraestrutura de IA, com laboratório multiusuário de supercomputação, aceleradores e a primeira turma de bacharelado em IA, além de projetos de extensão voltados à formação de professores da rede pública do DF.
Para Bruno Miranda, do Ibmec Brasília, a aplicação da IA deve variar conforme a etapa de formação do aluno, com regulamentos internos para uso responsável e a preocupação de não transformar estudantes em usuários intensivos antes de consolidarem fundamentos como cálculo, estatística e codificação. Ele disse ainda ter notado queda na capacidade de resolução de problemas quantitativos com a popularização de modelos generativos, defendendo a IA como apoio ao processo de aprendizagem, não substituto.
Thiago Zola, da Mind Lab, alertou que a IA só terá impacto real se houver escala no sistema educacional e citou problemas de infraestrutura, sobrecarga de docentes e gestão escolar. Dados de São Paulo indicam que 70% dos alunos do ensino médio já usam IA no dia a dia, mas apenas 32% receberam orientação escolar e 19% foram apoiados por professores. O foco é desenvolver habilidades humanas como pensamento crítico, resolução de problemas e tomada de decisão.
Marcos Vinícius, da Teachy, apontou riscos de vieses e de alucinações dos modelos, destacando a possibilidade de ampliar desigualdades entre escolas com maior ou menor acesso a tecnologia. Ele sugeriu ver a IA como um “copiloto”, com transparência para pais e professores e políticas internas definidas por cada escola.