Em coletiva nesta sexta-feira, Rodrigo Dienstmann, presidente da Ericsson Cone Sul da América Latina, sinalizou que a pressão pela IA está gerando uma disputa sobre quem vai liderar a arquitetura de inferência, também chamada edge computing, nas redes de telecomunicações.
O executivo destacou que ainda não há resposta clara se o dono da arquitetura de inferência serão as operadoras, os hyperscalers ou um terceiro ator, mas ressaltou que as operadoras já entendem que a IA mudou o jogo e querem saber quem ficará com a inferência na rede.
A Ericsson garante estar pronta para ajudar as operadoras a prepararem as redes para IA, observando que o uplink tornou-se mais relevante e que a IA física exige enviar muitos dados e receber menos, uma mudança que, segundo a empresa, exige pensar a rede com foco em agentes IA.
Andrea Faustino, CTO da Ericsson Latam South, afirmou que a empresa já aplica algoritmos de IA em diferentes partes do portfólio: base bands de RAN, core, software de core e aplicações que rodam dentro do sistema de BSS das operadoras, todas com algoritmos de IA.
Sobre o 5G standalone, Dienstmann reconheceu que a adoção ainda não ganhou escala, mesmo em mercados desenvolvidos; o Brasil encaminhou a obrigação no leilão, mas a expansão permanece lenta, em parte pela escassez de aparelhos 5G standalone no mercado.
O executivo também mencionou a Aduna, joint-venture entre a Ericsson e grandes operadoras para a comercialização internacional de APIs do Open Gateway, confirmando negociações para conectar operadoras brasileiras à plataforma. As teles nacionais não serão sócias, mas permitirão a venda de recursos das redes por meio das APIs em projetos globais, com a Vonage envolvida em marketplaces para distribuir as APIs.
Mais do que pensar no próprio futuro, a Ericsson defende que as operadoras usem APIs como fonte de receita nas redes 5G, com modelos de negócios baseados em slices ao invés de gigabytes, abrindo espaço para monetização de novas formas de serviço.