No Tech Gov Fórum MT, realizado em Cuiabá em 3/3, o foco da transformação digital do setor público mudou: as lideranças defendem que pessoas, cultura e desenvolvimento humano são o verdadeiro motor da excelência operacional, não apenas os sistemas.
A secretária adjunta de Gestão de Pessoas da Secretaria de Planejamento e Gestão de Mato Grosso, Lidiane Patrícia Ferreira e Silva Leite, lembrou que, mesmo com avanços tecnológicos, ainda há desafios básicos no ambiente administrativo. “Do que adianta sistemas complexos se as pessoas não estão preparadas para viver isso?”
Ela defendeu integrar competências comportamentais nos modelos de avaliação, estruturar feedbacks, estimular a resolução colaborativa de problemas e capacitar lideranças para que atuem como multiplicadoras, reforçando a necessidade de pertencimento dos servidores.
Guto Niche, gestor de RH da Summit, destacou que conflitos diários são oportunidades de aprendizado: “quando alguém interrompe outra pessoa numa reunião, isso é uma chance de reforçar a importância da escuta; quando alguém atrasa, é hora de falar sobre responsabilidade.”
O diretor da MTI, César Vidotto, reforçou que a preocupação central é com pessoas. Ele disse que habilidades técnicas podem ser ensinadas ou substituídas por IA, mas competências comportamentais não. “Hard skills podem ser aprendidas e substituídas por IA. Soft skills não.”
André Ágil Sanches, CEO da Universo Ágil, alertou para a sedução das inteligências artificiais generativas e o fato de que elas podem conhecer mais sobre os indivíduos do que eles próprios. Ele exemplificou com um experimento em sala de aula e destacou a necessidade de líderes que recuperem um papel acolhedor, criando culturas que se destaquem pela humanidade, além da eficiência.
Para Sanches, a IA funcionará como um “exoesqueleto” para as hard skills, potencializando capacidades técnicas, mas o diferencial competitivo continuará sendo o humano — o que ele chamou de “o lado belo” da cultura organizacional, único em ambientes cada vez mais automatizados.