Foi lançado pela Embrapa Suínos e Aves o GeoFert, um sistema digital com georreferenciamento que rastreia dejetos suínos desde a coleta, nas propriedades, até a aplicação no solo como biofertilizante. A implantação oficial ocorreu em Presidente Castello Branco, no estado de Santa Catarina, em agosto de 2025. A plataforma elimina a papelada e gera evidências auditáveis para órgãos ambientais, integrando IoT, Big Data e mapas interativos em tempo real.
O GeoFert sincroniza o rastreamento de máquinas agrícolas com dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e complementa o SGAS, substituindo planilhas fragmentadas por uma arquitetura de TI robusta. O projeto também acena com oportunidades para soluções B2B em dados, armazenamento na nuvem e visualização de informações, abrindo espaço para novas parcerias com empresas de tecnologia, como a Ekodata Tecnologia, parceira privada do projeto Smart que originou o GeoFert.
No aspecto de cibersegurança, o sistema lida com dados sensíveis de produtores, informações ambientais auditáveis e registros regulatórios. A autenticação robusta, o controle de acessos e a auditoria de registros são cruciais, principalmente quando os dados digitais substituem documentos físicos. A infraestrutura exige proteção de endpoints rurais, APIs seguras e estratégias de continuidade de operação em áreas com conectividade intermitente.
Do ponto de vista ambiental, o rastreamento tem potencial para reforçar a conformidade digital. Dejetos de animais são responsáveis por cerca de 5,7% das emissões de metano no Brasil, e um sistema auditável facilita comprovar práticas sustentáveis e explorar créditos de carbono. A geração de biogás em granjas de grande porte pode suprir parte da demanda elétrica da propriedade, abrindo caminhos para certificações ambientais e novos modelos de negócios baseados em sustentabilidade.
Para o setor, o GeoFert sinaliza uma expansão para milhares de municípios com produção suinícola intensiva. Soluções de TI, interoperabilidade de dados governamentais e APIs padronizadas são pontos-chave para a próxima geração de sistemas de gestão ambiental digital no agronegócio. O caso Embrapa-Ekodata mostra que pesquisa aplicada pode encontrar validação comercial, abrindo espaço para verticalizações em bovinos, avicultura e outras atividades com gestão de resíduos.