A Federal Communications Commission (FCC) dos Estados Unidos aprovou uma nova categoria de equipamentos não licenciados — os chamados geofenced variable power (GVP) — para operar na faixa de 6 GHz, combinando potência superior a dos dispositivos Low Power Indoor (LPI) com mecanismos de proteção georreferenciados para minimizar interferências em serviços móveis licenciados. A medida busca expandir o uso não licenciado da faixa, incluindo aplicações outdoor com desempenho mais elevado.
A decisão da FCC, permite que equipamentos GVP operem nas subfaixas U-NII-5 (5.925–6.425 MHz) e U-NII-7 (6.525–6.875 MHz), com salvaguardas técnicas que visam preservar a coexistência com outros serviços licenciados. A agência também submeteu à consulta uma proposta para considerar aumentos de potência para pontos de acesso padrão e LPI e ponderar o uso LPI em ambientes como navios de cruzeiro.
No Brasil, o debate sobre o destino da faixa de 6 GHz (5.925–7.125 MHz) segue aberto, com divergências entre provedores, fabricantes e operadoras móveis. A Anatel tem enfrentado opiniões contrárias de diferentes setores sobre como utilizar esse bloco de espectro. Em 2025, o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, reiterou que a agência pretende manter a divisão entre uso móvel licenciado e uso não licenciado (Wi‑Fi), defendendo a harmonia global, embora reconheça que metade da faixa superior (6.425–7.125 MHz) poderia seguir para SMP, dependendo da regulamentação específica.
A trajetória regulatória internacional aponta para modelos de convivência entre Wi‑Fi de alta capacidade e serviços móveis emergentes. Além da decisão da FCC, reguladores como o britânico Ofcom discutem coordenação automática de frequência para uso prioritário. O Brasil, por sua vez, não sinalizou mudanças rápidas na divisão entre Wi‑Fi e celular, mantendo o debate em curso e avaliando impactos para conectividade e inovação.
Especialistas e representantes da indústria adotam posições distintas: há quem defenda a liberação total para uso não licenciado para ampliar o Wi‑Fi, enquanto outras vozes ressaltam a necessidade de preservar parte do espectro para serviços móveis e evitar congestionamento. O confronto entre interesses locais e tendências globais deve moldar os próximos passos regulatórios no Brasil e no mundo.