O verão de 2026 confirma a tendência de temperaturas mais altas, ondas de calor intensas e consumo de energia em patamares recordes, levando a uma rede elétrica operando próximo ao limite.
Nesse contexto, os data centers ocupam posição central como infraestruturas críticas que sustentam serviços financeiros, telecomunicações, saúde, indústria, governo e comércio eletrônico. A resiliência elétrica transforma-se de um atributo técnico em um requisito estratégico de negócio.
Apesar de o Brasil possuir uma matriz energética predominantemente renovável, a dependência pesada de hidrelétricas expõe vulnerabilidades em períodos de calor extremo e estiagem. A combinação de demanda elevada por climatização e pela digitalização pressiona subestações, linhas de transmissão e a distribuição, especialmente na última milha.
Para os data centers, o desafio é duplo: manter disponibilidade contínua diante de falhas externas e, ao mesmo tempo, controlar eficiência energética e custos em um cenário de tarifas elevadas. Soluções passam por topologias redundantes bem desenhadas, diversificação real de fontes, integração entre energia, refrigeração e automação, além de planos operacionais e testes com carga real antes e durante o verão.
No plano de negócio, energia é risco sistêmico que exige engenharia, dados e investimento consistente. Verões consecutivos devem impulsionar revisões estratégicas, contratos bem dimensionados e uma comunicação transparente sobre autonomia, histórico de incidentes e capacidade de escala.