A Eletronet divulgou um plano de expansão que visa ampliar em 50% sua infraestrutura, com a ativação de aproximadamente 8 mil km de fibra óptica distribuídos em 21 novas rotas. O projeto, estimado em R$ 157 milhões, já está em implementação e busca consolidar a presença da operadora em cidades e regiões onde a conectividade é deficitária, além de intensificar a atuação no segmento de data centers no Brasil.
Segundo Rogerio Garchet, CEO da Eletronet, a rede deve alcançar regiões ainda não atendidas e abrir cinco novos estados, levando conectividade às periferias do país. A iniciativa tem como objetivo estruturar a malha para suportar serviços de alta demanda e reduzir latência para aplicações de ponta.
A estratégia de internacionalização prevê ligações com redes de fibra em países vizinhos. Garchet destacou que, ao chegar a Chuí (RS), a Eletronet poderá conectar o Uruguai; a partir de Foz do Iguaçu (PR), a conexão se estenderia para Argentina e Paraguai; já em Assis Brasil (AC), a porta de entrada seria para Peru e Bolívia. “Isso vai permitir que a gente possa ir para o Oceano Pacífico, para a Costa Oeste norte-americana e para a Ásia com menor latência”, afirmou o executivo.
A infraestrutura envolve uma rede de fibra OPGW (Optical Ground Wire) integrada às linhas de transmissão de energia da Axia Energia (antiga Eletrobras), que controla a Eletronet desde 2025. A mudança societária ampliou a capacidade de investimento e expansão do negócio, conforme Garchet.
No front de data centers, a Eletronet aposta em pequenos data centers de borda, ou edge data centers: o plano prevê a construção de 85 estruturas, além dos 170 pontos de presença (POPs) já existentes. A transformação dos POPs para edge deve aproximar o processamento de dados do consumidor final, abrindo portas para IA, telemedicina e IoT.
O executivo também destacou potenciais entraves no curto prazo, como a definição do Redata, novo regime tributário para o setor. “Todo mundo vê o Brasil como um grande potencial, mas há a barreira de tributação de equipamentos”, afirmou, ressaltando que custos de importação podem minar vantagens competitivas, mesmo com vantagem energética e disponibilidade de espaço.
Quanto ao cronograma, Garchet informou que, até julho, algumas rotas-chave já devem estar operando em capitais como Belém, Vitória, João Pessoa, São Luís e Cuiabá, com a ampliação prosseguindo até agosto e conclusão prevista para o final do ano em várias rotas estratégicas.