Uma startup da Nova Zelândia, a Scanabull, captou NZD 1,1 milhão para ampliar uma solução que transforma iPhones em balanças digitais para gado. O sistema executa redes neurais diretamente no dispositivo, fornecendo estimativas de peso com mais de 93% de precisão em cerca de um segundo, sem depender de pesagens fixas e caras.
O segredo está no edge computing: o iPhone Pro, com sensor LiDAR, captura um mapa 3D do animal, que é processado localmente para estimar peso. A empresa também oferece uma câmera opcional (Scanabull Weigh Point) que facilita a coleta de dados sem necessidade de conexão constante à internet.
O modelo foi treinado com mais de 100 mil pontos de dados reais, permitindo que redes neurais identifiquem padrões entre formato corporal, volume 3D e peso. O processamento roda on-device, com técnicas de compressão e otimização para manter baixo consumo de energia e memória.
Em comparação com sistemas tradicionais de pesagem, que podem exigir balanças, currais, estruturas metálicas e manutenção, a solução de Scanabull substitui tudo por um iPhone Pro e, se desejado, a câmera dedicada.
Os testes em produtores da Nova Zelândia incluem parceria com a Silver Fern Farms, uma das maiores processadoras do país. Embora a precisão seja de 93% em nível de animal, a empresa aponta que a acurácia aumenta quando as medições são feitas no nível do rebanho, ajudando em decisões de manejo como abate e nutrição.
Além de agropecuária, a arquitetura de redes neurais on-device para dispositivos móveis abre possibilidades em inspeção de qualidade, manutenção preditiva e monitoramento de ativos em IoT industrial. Dados permanecem no dispositivo, o que reduz riscos de vazamento e reforça a cibersegurança.
Com o aporte de NZD 1,1 milhão, a Scanabull planeja ampliar os testes, refinar modelos e explorar integrações com sistemas de gestão de fazenda e plataformas de rastreabilidade de carne, consolidando a Nova Zelândia como hub de inovação em agritech.