O Brasil registrou um significativo aumento de violações de direitos no ambiente digital em 2025, com destaque para crimes de ódio e violência sexual online. Dados da SaferNet Brasil indicam que denúncias de crimes de ódio no canal da organização cresceram 54% no último ano, enquanto casos de misoginia online saltaram 224,9%.
Durante o Dia da Internet Segura 2026, em São Paulo, a SaferNet apresentou os números, destacando a adesão a uma coalizão internacional para enfrentar a criação de deepfakes de nudez, em parceria com o UNICEF, o NCMEC e a WeProtect Global Alliance.
Além disso, Thiago Tavares, diretor-presidente da SaferNet Brasil, apontou aumentos em conteúdos ilícitos como apologia a crimes contra a vida (75,4%) e neonazismo (64,7%), reforçando a necessidade de ações coordenadas.
O avanço da inteligência artificial tem acompanhado esse boom: houve um crescimento de 115% em casos de exposição de imagens íntimas sem consentimento, com relatos de deepfakes sexuais criados por IA. Organizações criminosas também oferecem serviços de manipulação de imagens para gerar nudez e vídeos ultrarreais sem consentimento.
O presidente do NIC.br, Demi Getschko, alertou sobre o risco de medidas que fragilizem a infraestrutura da Internet e destacou que intermediários técnicos não devem ser automaticamente responsabilizados, salvo quando atuam como agentes ativos. O CGI.br reforça a necessidade de responsabilizar os verdadeiros agentes finais dos problemas.
A procuradora regional da República, Fernanda Teixeira, mencionou o aumento de crimes sexuais cometidos no ambiente digital, inclusive por adolescentes em grupos online, defendendo regulação mais eficaz para complementar a repressão nas plataformas digitais.
Para ampliar a resposta, a SaferNet informou a adesão a uma coalizão internacional com organismos como UNICEF, NCMEC e WeProtect Global Alliance, visando enfrentar a disseminação de deepfakes de nudez e outros abusos digitais.