Em keynote de abertura no EdTechs 2026, o executivo Laerte Magalhães destacou que o acesso à internet, por si só, não garante inclusão digital. Mesmo com 93% das escolas conectadas e 85% da população brasileira online, o desafio da exclusão digital persiste quando falta o uso pedagógico, a disponibilidade de dispositivos e a continuidade da conexão.
Magalhães comparou a infraestrutura à ideia de uma ciclovia: a via existe, mas é necessário ter a bicicleta certa para as atividades escolares. Segundo ele, a “internet significativa” envolve não apenas conectividade, mas também dispositivos adequados, conteúdo e uma mediação pedagógica eficaz.
Além disso, o executivo apontou que, embora 70% dos alunos já utilizem inteligência artificial generativa para estudar, apenas 19% receberam orientação da escola sobre esse uso, reforçando a necessidade de conteúdo, mediação e segurança no ecossistema educacional.
Em conversa com o entrevistador, Magalhães comentou as diferenças regionais, destacando desafios logísticos sobretudo no Norte e Nordeste, com pilotos via satélite em locais de difícil alcance. Foi citado ainda o Pará e a região de Santarém, onde a instalação enfrentou obstáculos. A flexibilização da Lei 14.172 é vista por ele como um avanço que passa a contemplar escola, com ênfase em dispositivos e cobertura de Wi-Fi, e não apenas a conexão de alunos.
Na prática, a estratégia de conectividade combina fibra para conectarmos as escolas e mobilidade para os estudantes. Embora a fibra continue a melhor alternativa, existem cerca de 1.200 municípios sem fibra óptica de qualidade, tornando o acesso remoto inviável em algumas regiões. Nesses casos, o leque de soluções inclui rádio, FWA e satélite, com a mobilidade sendo central para a “internet significativa” que o estudante precisa usar diariamente em qualquer lugar. A iuh! atua em programas públicos com fornecimento de chips e dispositivos com filtros de conteúdo e controles por faixa etária, buscando fechar o triângulo de acesso, equipamento e uso orientado. Um exemplo citado foi o de uma estudante do interior do Piauí que estudava pela internet do vizinho e com o celular da mãe, antes de ter acesso a conteúdos online de forma regular.