Um estudo inédito da ConectarAgro em parceria com a Universidade Federal de Viçosa revela que regiões rurais com maior cobertura de internet móvel registram incidência significativamente menor de queimadas no Brasil. Ao analisar dados de 2024, ano em que aproximadamente 31,3 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo, a pesquisa identifica uma relação direta entre conectividade rural e capacidade de prevenção ambiental.
Ao longo do levantamento, Tocantins, Roraima e Mato Grosso aparecem entre as unidades federativas com maior destruição, coincidindo com territórios onde menos de 3% das áreas rurais possuem cobertura de internet móvel. Em contraste, estados com infraestrutura de conectividade mais robusta, como São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, apresentam números de queimadas significativamente menores.
A pesquisa aponta que a Amazônia e o Cerrado concentraram 87% de toda a área queimada em 2024, totalizando 27,2 milhões de hectares. Nessas regiões, a média de cobertura de internet móvel em áreas rurais é inferior a 6%, reforçando a correlação entre ausência digital e vulnerabilidade ambiental.
Segundo os autores, a conectividade viabiliza monitoramento em tempo real por meio de câmeras de vigilância remota, sensores de temperatura conectados via IoT e plataformas de geointeligência. Alertas precoces para focos de calor e melhor coordenação das brigadas de combate dependem de redes estáveis e integradas, incluindo soluções de edge computing para regiões com conectividade intermitente.
Os custos diretos ligados aos incêndios de 2024 superaram US$ 220 milhões, com prejuízos à biodiversidade estimados em mais de US$ 14 bilhões. O estudo reforça que apenas parte do campo brasileiro está conectado e recomenda políticas públicas que incentivem a expansão de redes móveis em áreas remotas, destacando o retorno ambiental e a mitigação de riscos como razões centrais para investir na conectividade rural.