O avanço dos Centros de Operações Agrícolas (COAs) no Mato Grosso acelera a transformação digital no agronegócio, mas revela um gargalo crítico: cerca de 70% do território brasileiro ainda carece de conectividade estável, essencial para monitoramento em tempo real das lavouras.
Os COAs atuam como núcleos que consolidam dados de várias frentes da lavoura — rendimento, área plantada, consumo de combustível e alertas de falhas. A centralização de informações permite decisões mais rápidas, porém depende de redes fortes que ainda não existem em grande parte do país.
Mato Grosso figura como laboratório da Agricultura 4.0. O estado responde por parcela significativa da produção global de soja, milho e algodão, o que o transforma em campo de testes para soluções de agricultura de precisão em escala industrial. A adoção de COAs também está impulsionando a demanda por mão de obra com formação técnica e capacidade analítica.
Além da conectividade, as operações exigem infraestrutura de TI robusta: processamento de grandes volumes de dados em tempo real, integração entre sensores, máquinas, satélites e estações meteorológicas. A latência precisa ser minimizada para que alertas cheguem em segundos e não em minutos, o que acende o debate sobre qualidade de serviço na zona rural.
A centralização de dados sensíveis também eleva o nível de cibersegurança. Proteção contra vazamentos de produtividade, custos e cronogramas de plantio demanda camadas de defesa, com autenticação forte, criptografia e monitoramento contínuo de ameaças. A indústria agrícola enfrenta uma superfície de ataque extensa devido à dispersão da operação.
Oportunidades para o setor de TI aparecem: conectividade híbrida (satélite, celular, rádio) com edge computing, plataformas de integração de dados entre fabricantes e maior interoperabilidade. Há espaço para soluções de cibersegurança específicas para agro e proteção de dados operacionais.
Para o futuro, a expansão de COAs além de Mato Grosso dependerá da evolução da conectividade nacional. Sem melhoria de cobertura, a digitalização do agro ficará concentrada em grandes operações em regiões específicas. Universidades e centros técnicos terão papel central na formação de profissionais híbridos que conectem tecnologia e agronomia.
It Show reforça que o agronegócio é um mercado em crescimento, com orçamentos robustos para TI e Segurança. O setor que desenvolver soluções sob medida pode capturar participação relevante no mercado emergente.